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Os Tempos em que Vivemos

Um olhar, uma tentativa de compreensão sobre algumas coisas que são vida.

Os Tempos em que Vivemos

Um olhar, uma tentativa de compreensão sobre algumas coisas que são vida.

Os rabinhos dos canadianos não podem ser descriminados

 

 No Canadá, qualquer pessoa que pratique um ato que envolva uma relação anal pode vir a ser considerada culpada, podendo incorrer numa pena de prisão até dez anos, Secção 159 do Código Criminal.

 

Na Rússia, foi aprovada no Parlamento (Duma), a lei que descriminaliza a violência doméstica, passando a ser considerada apenas como ofensa administrativa.

 

O “globalismo 1” serviu para concentrar riqueza nas mãos de alguns poucos (1%), com tradução em privilégios políticos e arrogância cultural.

 

O “globalismo 2” beneficiará uma percentagem ainda menor da elite, em que os 1% serão ‘verdadeiros’ cristãos, radicalmente conservadores e subordinados ao nacionalismo.

 

 “C’est la vie”, Chuck Berry ,1972.

 

 

 

 

No Canadá, país socialmente liberal, existe uma lei (Secção 159 do Código Criminal do Canadá) que regula as relações anais:

 

Qualquer pessoa que pratique um ato que envolva uma relação anal pode vir a ser considerada culpada, podendo incorrer numa pena de prisão até dez anos.”

 

São consideradas exceções o caso de tal acontecer entre marido e mulher, e no caso de ambos os parceiros terem mais de 18 anos.

Uma vez que no Canadá a maioridade é legalmente considerada ser aos 16 anos, esta lei não permite as relações anais para as pessoas de 16 e 17 anos, o que infringe os direitos dos homossexuais e outras minorias. Daí a lei ter começado a ser acusada de discriminação contra os homossexuais.

Conforme dizia Wilson-Raybould:

 

Esta secção do código Criminal é discriminatória e a comunidade LGBTQ2 tem todo o direito de pedir que seja repudiada. A nossa sociedade evolui durante as últimas décadas, e o nosso sistema de justiça tem de acompanhar essa evolução, só assim podendo continuar a alcançar as espectativas dos Canadianos.

Os Canadianos esperam que as suas leis e o seu governo reflitam esses valores.”

 

Aparentemente, o que o governo bem intencionadamente fez, foi criar uma exceção, uma exceção que sempre tinha constituído uma descriminação contra os homens homossexuais.

Curiosamente, já em 1995 o tribunal de Apelação de Ontário tinha considerado inconstitucional esta Secção 159, por “arbitrariamente tratar de modo desigual os indivíduos.”

Apesar disso, a lei continuou efetiva nas outras cinco províncias do Canadá, tendo sido levada a julgamento 69 pessoas, embora nenhuma tenha sido condenada.

Já o grupo REAL Woman of Canada defende que em algum lado terá de ser traçada uma linha, uma vez que o sexo anal e o sexo vaginal acarretam diferentes riscos:

Se quisermos proteger as pessoas, tem de haver algures uma proibição.”

 

Para estudar o problema, foi indicado um “consultor” especializado em LGBTQ2, que certamente pedirá desculpas por injustiças passadas. LGBTQ2 é a abreviatura dum grupo que compreende L de Lesbian (lésbias), G de Gay (homossexual), B de Bisexual, T de Transgender (transexuais), Q de Queer (travestis) e 2 de Two-Spirited (2 espíritos, uma espécie de identidade reconhecida pelos Nativos Americanos, vulgo índios).

 

 

Na Rússia, foi aprovada no Parlamento (Duma) por 380 votos a favor, 3 votos contra e nenhuma abstenção, a lei que descriminaliza a violência doméstica, passando esta a ser considerada apenas como ofensa administrativa.

A deputada Olga Batalina, do partido Rússia Unida, uma das proponentes, justifica-a fazendo notar que a lei anterior que criminalizava a violência doméstica era discriminatória para com os pais, que, por darem uma bofetada na cara dos filhos, podiam serem presos por dois anos, o que já não acontecia caso fosse um vizinho a dar a estalada no miúdo, que ficaria sujeito a pagar apenas uma multa.

 

A nova lei é muito precisa, nomeadamente especificando que da primeira vez que se agrida fisicamente os familiares, desde que não haja dano corporal, a multa poderá ir dos 5.000 aos 30.000 rublos, 60 a 120 horas de trabalho comunitário, ou 10 a 15 dias de detenção policial.

Se as agressões se repetirem, ou desde que haja dano corporal, continuam a não serem consideradas como crime, apenas a multa poderá aumentar até aos três meses de vencimento, o trabalho comunitário poderá ir até às 360 horas, e a detenção policial poderá ir até três meses.

 

Segundo o presidente da Duma, Vyacheslav Volodin, os legisladores foram motivados pelas opiniões expressas dos seus eleitorados e pelos inquéritos de opinião pública que indicavam que a maioria (59%) do povo russo era a favor de descriminalizar a violência doméstica, se não houvesse qualquer dano físico.

 

 

Poderemos ver nestes dois exemplos de legislação o caminho que os estados contemporâneos estão a tentar querer fazer seguir as respetivas sociedades, na sua intenção de tudo quererem controlar, diluindo as fronteiras entre  o privado  e o público e vice-versa, tudo reduzindo a normas que em breve (julgam eles) passarão a algoritmos de uma sociedade em que qualquer computador dos ministérios de justiça aplicará a lei. Que, evidentemente acabará por ser feita por “eles”.

Poderemos também discutir sobre as diferenças entre uma lei aparentemente progressista e outra, aparentemente retrógrada, sobre o aperfeiçoamento das sociedades através da legislação, na persecução de um progresso que não se sabe bem o que será, ou o que é.

Mas, podemos também pensá-las como representando a aparente clivagem entre as forças que se digladiam hoje, entre os que são favoráveis à “globalização 1” e os que são favoráveis à “globalização 2”.

 

 

Steve Bannon, o ideólogo por trás de Trump, já nos tinha dito:

 

Eu não sou um nacionalista branco, eu sou um nacionalista. Os globalistas afundaram a classe trabalhadora americana e criaram uma classe média na Ásia. O problema agora é de como evitar que os trabalhadores americanos não sejam de novo fodidos.”

 

Para ele, os globalistas representam o perigo principal. Os globalistas são aquela elite que se beneficiou do comércio livre, impôs o multiculturalismo, e que, num abraço fraternal, envolveu todos aqueles que no mundo, em conclaves como o de Davos e nas instituições como a ONU, agiam com os mesmos objetivos.

Os globalistas desprezam as tradições nacionais e menorizam os valores religiosos (Cristãos). Afirmando-se politicamente corretos, preocupam-se apenas com as minorias, não com as maiorias. Pretendem abolir as fronteiras para assim poderem encher mais facilmente os bolsos.

 

É hoje totalmente claro que este globalismo 1, este internacionalismo liberal, serviu para concentrar riqueza nas mãos de alguns poucos (1%), com tradução em privilégios políticos e arrogância cultural. Sabe-se hoje que a economia global funciona como um casino.

 

 

Será que Bannon, Trump, pretendem resolver esta situação democratizando o globalismo? Evidentemente que não.

 Basta uma simples enumeração dos negócios de Trump, que vão de campos de golfo a empresas de desenvolvimento urbano e comercial, que se estendem por quatro continentes e 24 países, incluindo Argentina, Azerbaijão, Brasil, Canadá, China, República Dominicana, Egito, Geórgia, Índia, Indonésia, Irlanda, Panamá, Filipinas, Qatar, St. Martin, St. Vicente, Granadinas, Arábia Saudita, Coreia do Sul, Turquia, Emiratos Árabes, Reino Unido, Uruguai, para perceber que não se trata de democratizar o globalismo.

Se juntarmos a esta lista todos os produtos com a marca Trump (gravatas, fatos, camisas, óculos, fragâncias, recheio de casas, recheio de hotéis, bebidas alcoólicas), vemos que todos eles são feitos fora dos EUA, em 12 países (China, Holanda, México, Índia, Turqui, Eslovénia, Honduras, Alemanha, Bangladesh, Vietname e Coreia do Sul), e não consta que Trump os vá passar a fabricar nos EUA.

O que pretendem é criar um globalismo para seu próprio benefício. Um novo globalismo em que os 1% sejam ‘verdadeiros’ cristãos, radicalmente conservadores e subordinados ao nacionalismo. Ou seja, este globalismo 2 beneficiará uma percentagem ainda menor da elite.

E, os seus seguidores a nível internacional, estão já perfilados: Vladimir Putin, Marine LePen, Viktor Orban.

 

 

Na realidade, Putin está na base do nascimento deste Internacional Nacionalismo. Eis o que ele disse a 20.Set.2013 em Novgorod  (http://russialist.org/transcript-putin-at-meeting-of-the-valdai-international-discussion-club-partial-transcript/):

 

Vemos como hoje em dia muitos dos países Euro-Atlânticos estão a rejeitar as suas raízes, incluindo os valores do Cristianismo que constituem a base da civilização ocidental. Renegam princípios morais e todas as identidades tradicionais: nacionais, culturais, religiosas e sexuais. Estão a implementar políticas que equiparam o conceito de família ao de uniões do mesmo sexo, a fé em Deus com a fé em Satanás. Os excessos do politicamente correto atinge um extremo em que as pessoas não veem qualquer mal em registar partidos políticos cuja finalidade seja a de promover a pedofilia.”

 

Percebe-se agora a legislação aprovada na Duma sobre a descriminalização da violência doméstica.

Enquanto se sossega o povo com uma reposição de valores de acordo com o desejado por esse mesmo povo, o roubo descarado à moda antiga impõe-se, perante a complacência dos militares com novas armas para se distraírem. É assim na Rússia e é assim nos EUA.

Nos EUA, enquanto dão mais emprego, mas pior pago, os oligarcas dos novos 1% vão enriquecer mais, à custa do programa de infraestruturas lançado pelo (seu) governo, dos novos tratados comerciais, e da nova enfase nas indústrias extrativas.

 

Como nos cantava Chuck Berry em 1972: “C’est la vie” (https://www.youtube.com/watch?v=d1oyvAMtFsk), ou, como mais prosaicamente nos dizia António Guterres: “É a vida”.

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