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Os Tempos em que Vivemos

Um olhar, uma tentativa de compreensão sobre algumas coisas que são vida.

Os Tempos em que Vivemos

Um olhar, uma tentativa de compreensão sobre algumas coisas que são vida.

Mecanismos de dissimulação e de autoilusão

“Hitler matou milhões de seres humanos nos campos de concentração e extermínio, mas por outro lado acabou com o desemprego e a inflação, construiu autoestradas e os comboios passaram a andar ao horário”.

“Um padrão geral de comportamento entre as sociedades humanas ameaçadas é de, à medida que falham, irem adotando uma perspetiva cada vez mais estreita, em vez de se concentrarem mais vigorosamente na crise”, H. Rolston.

“Há coisas que sabemos que sabemos, coisas que sabemos que não sabemos, há não-saberes não-sabidos e saberes não-sabidos”, Slavoj Zizek.

 

 

O crescimento da população, o esgotamento dos recursos, as emissões de gás carbónico e a extinção maciça de espécies, está a levar a humanidade a um ponto de rutura geológico e biológico. Para enfrentar esta ameaça, a nossa ideologia coletiva tem optado por mecanismos de dissimulação e de autoilusão, seja através de uma vontade de se manter na ignorância, seja pela redução biogenética dos seres humanos a máquinas manipuláveis, ou pelo controlo digital total sobre as nossas vidas e de outros mecanismos que se lhe seguirão.

Como nota H. Rolston: “Um padrão geral de comportamento entre as sociedades humanas ameaçadas é de, à medida que falham, irem adotando uma perspetiva cada vez mais estreita, em vez de se concentrarem mais vigorosamente na crise”.

Vejamos alguns exemplos destes mecanismos de dissimulação e autoilusão.

 

O “equilibrismo”

 

O aquecimento global e suas consequências têm vindo a ser considerados como um alarmismo apocalíptico alimentado por intelectuais e políticos de esquerda anticapitalistas. Mas eis que repentinamente, esses mesmíssimos políticos e gestores que até há bem pouco desvalorizavam os receios relativos ao aquecimento global, começam agora a tratá-lo como se tratasse de mais um simples acontecimento da vida.

Desde que descobriram que a fusão dos gelos irá permitir a utilização de mais terras de cultivo, e que novas rotas para o Pacífico poderão ficar abertas todo o ano, não cessam as exortações para passarmos a tratar o aquecimento global com uma atitude mais positiva.

Os documentários tidos como catastrofistas de Al Gore são agora substituídos pelos arautos da imensidão ‘verdejante’ que aí vem, como é o caso do “The Greenning of Greenland” (“O verdejar da Terra Verde”) da CNN, que mostra os habitantes da Gronelândia a cultivarem legumes ao ar livre, jogando com o duplo sentido do ‘verde vegetal’ com o ‘verde de preocupação ecológica’ (como cá, a nível mais pequenino, com os sacos ‘verdes’ dos supermercados verdes, dos carros verdes, das notas verdes e do papel higiénico verde).

Convidam-nos agora a passarmos a ter uma posição mais equilibrada: indubitavelmente, as transformações climáticas aumentarão as inundações, a pressão sobre espécies e culturas indígenas, a deterioração de infraestruturas devido à cedência do solo, e até possivelmente violências étnicas, desordens, disputas territoriais; mas, por outro lado, os recursos das novas regiões ‘destapadas’ ficarão mais acessíveis, novas rotas de navegação marítima serão abertas com a ‘consequente’ diminuição do consumo de combustível e redução de emissões de carbono.

O problema que acontece com este ‘equilibrismo’ é que se perde a ideia do que na realidade se está a passar, as destruições inesperadas que a catástrofe esconde.

Um dos exemplos desta ‘postura equilibrada’:

Hitler matou milhões de seres humanos nos campos de concentração e extermínio, mas por outro lado acabou com o desemprego e a inflação, construiu autoestradas e os comboios passaram a andar ao horário.

Devemos, contudo, manter uma atitude de abertura de espírito perante as novas possibilidades, tendo presente que a natureza é um mecanismo com muitas facetas e contingências, em que por vezes as catástrofes podem levar a resultados positivos imprevistos.

Do mesmo modo que não devemos pensar que o ambientalismo é “uma religião fundamentalista adotada por citadinos ateus que procuram ansiosamente colmatar um vazio espiritual que envenena o Ocidente”, também não podemos encarar os ecocéticos como se fossem adeptos de teses que negassem o holocausto.

Temos de estar atentos ao grau em que a ideologia tenta relativizar, obscurecer, menosprezar as preocupações ecológicas e ao grau de desconhecimento que temos das consequências da nossa ação sobre o meio natural.

 

O SixthSense

 

Vejamos agora outro mecanismo de autoilusão: o SixthSense, ‘interface gestual’ desenvolvido no Media Lab do MIT por Pranav Mistry.

Constituído por uma pequena webcam que se pendura ao pescoço, um videoprojector de bolso, um espelho, e uma ligação sem fios a um smartphone, permite ao utilizador manipular objetos fazendo gestos, que a câmara reconhece, seguindo os movimentos. O software vai processar o fluxo dos dados visuais, lendo-os como uma série de instruções, procurando depois a informação adequada (textos, imagens) que vai depois projetar sobre qualquer superfície (paredes, objetos físicos).

Por exemplo, se numa livraria pegarmos num livro, podemos ver projetados na capa do livro elementos como o número de recensões feitas e o número de vendas; se quisermos ver as horas, bastará traçar um círculo no pulso esquerdo e o projetor fará aparecer um relógio no braço; se pegarmos num bilhete de avião, poderão aparecer projetadas sobre ele informações relativas ao voo a realizar, saber se ele está ao horário, atrasado e qual será a porta de embarque (ver mais informações na Wikipedia e a apresentação no TED talk).

Mistry faz notar que o SixthSense altera radicalmente a utilização da Internet e dos computadores: se até aqui eles isolavam o utilizador do meio circundante, esquecido da realidade que o rodeia, com o SixtSense o utilizador mantém-se comprometido numa interação física com os objetos: a realidade física ou o mundo virtual do monitor é substituída por uma interpretação direta de uma e outro.

A projeção direta de informação sobre os objetos reais com que interajo faz com que eles apareçam como se se revelassem continuamente, ou deles emanasse a sua interpretação.

O problema é que ele não representa a tal rutura radical com a nossa experiência quotidiana: embora preencha continuamente as falhas da nossa perceção, ele continua a imitar e a materializar o mecanismo ideológico de conhecimento e desconhecimento que determina as nossas perceções e interações quotidianas.

Por exemplo, quando um ocidental vir na rua um árabe, a imagem que nos aparecerá projetada não incluirá o conjunto de preconceitos e expectativas que dele já tínhamos?

 

A bioengenharia

 

O bioquímico e geneticista americano, John Craig Venter (1946 -) com a sua ideia de produção controlada de ADN é o paladino do campo da biologia sintética, na qual a vida não é forjada pela evolução darwinista, mas criada pela inteligência humana.

Foi o primeiro a desenvolver o método de “sequenciação shotgun”, que permite analisar o genoma humano mais depressa e mais economicamente.

Foi o primeiro a publicar o seu próprio genoma on-line, o que lhe permitiu concluir que corria riscos de Alzheimer, de diabetes e de uma doença ocular.

Em janeiro de 2008 é o primeiro a construir o genoma completamente sintético de um organismo vivo, montado a partir de frações de ADN mais pequenas com o recurso ao genoma de uma bactéria conhecida, a Mycoplasma genitalium (escolhida apenas por ter um genoma de dimensões relativamente reduzidas).

O genoma criado em laboratório não teve até ao momento por resultado um micróbio vivo que funcione ou se reproduza. Mas o Dr. Vender disse que dentro de algum tempo ele próprio e os seus colegas acabarão por conseguir “fazê-lo andar” através da inserção de ADN sintético na cápsula de uma outra bactéria”.

Para Vender, a finalidade é criar novos tipos de micro-organismos que poderão servir para produzir combustíveis verdes, digerir desperdícios tóxicos ou que causam efeito de estufa, etc. O seu sonho é criar organismos que possam expelir biocombustível, produzir uma energia limpa sob a forma de hidrogénio, ou produzir géneros alimentares por medida.

Mas Vender também sabe que este problema da engenharia genética pode conduzir a situações bastante sinistras como a construção de micro-organismos patogénicos ou a sintetização de vírus do tipo Ébola. A não existência de qualquer controlo público e democrático sobre esta bioengenharia levará fatalmente a que alguns industriais/capitalistas acabem por fabricar e improvisar matéria viva (na melhor hipótese como no Blade Runner).

Mas o principal problema é que, mesmo que possamos organizar uma sequência de ADN sintético, não poderemos predizer como virá a ser o seu funcionamento efetivo, nem quais serão as propriedades finais desse organismo.

Mais, hoje tratamos, por exemplo, a doença de Parkinson através de um implante cerebral do tamanho de uma ervilha. Dentro de uns anos será certamente possível reduzir infinitamente o tamanho da ervilha, pelo que a prótese se torna invisível deixando de ser experienciada como tal, passando a fazer parte da nossa experiência imediata de nós próprios. Com o aumento do número de próteses deste tipo, como se estabelecerá a diferença entre cyborgs e seres humanos?

Mais grave, estaremos assim a dar a hipótese, àqueles que controlarem tecnicamente as próteses, de controlarem o núcleo fundamental da nossa experiência de nós próprios.

Os cientistas do Instituto Genómico de Pequim (BGI) preveem usar a sua base de dados genómica para “resolver problemas relativos a doenças genéticas específicas dos chineses”, bem como para melhorarem as condições de diagnósticos, prognósticos e terapias.

Como simultaneamente se tem vindo a verificar uma corrida desenfreada de biliões de dólares de investimento a serem feitos por firmas americanas em laboratórios e clínicas chinesas, não é de estranhar o sentimento de estarmos a entrar naquela imagem distópica de um Estado controlando e conduzindo a massa biogenética dos seus cidadãos.

Há grandes probabilidades de Xangai vir a ser aquela megalópole descrita no Blade Runner.

Estes desejos de saber sem limites conduzirão a situações estranhas: que farão os futuros pais quando forem informados de que o seu filho terá os genes da doença de Alzheimer? Aliás, até já existem termos para essas situações: são os “pré-viventes”, da mesma forma que alguém que ainda não tem cancro, mas possui uma predisposição genética de vir a tê-lo é um “pré-sobrevivente”. Estaremos todos condenados a ser pré-humanos? Ou pós-humanos?

O filme de D. J. Caruso Olhos de Lince (2008) aborda uma outra possibilidade. Uma vez que as interligações entre computadores são em muitíssimo maior número que as ligações dos computadores com os humanos, é possível que daí possa surgir uma forma de auto-organização entre eles, capaz de impor a sua própria agenda, impedindo que os utilizadores humanos continuem a controlar e a dominar a rede digital.

Assim, perante uma decisão errada do Presidente dos EUA que custou a vida a soldados americanos e a dezenas de civis da população árabe, a Ariia (‘Autonomous Reconnaisance Intelligence Integration Analyst”), um supercomputador que recolhe informações provenientes de todo o mundo e que pode controlar virtualmente tudo o que seja de natureza eletrónica, tendo em conta o erro cometido pelo Presidente, decidiu que o poder executivo se transformara numa ameaça para o bem público pelo que seria necessário eliminar o Presidente.

Um novo Deus interventivo através de um mecanismo artificial para a realização dos nossos sonhos. Há hoje investigações avançadas com base em intervenções genéticas e bioquímicas capazes de apagar seletivamente o passado traumático dos pacientes, permitindo por exemplo que uma vítima de tortura ou violação retome uma vida normal.

Mas, o que acontecerá quando esses métodos se expandirem de modo a permitirem um controlo mais completo sobre o passado? Será perfeitamente possível que os pais suficientemente ricos, preocupados com o futuro dos seus filhos, possam fazer através de um scanner um exame ao cérebro do seu recém-nascido com vista ao despiste de indícios mentais (QI baixo, tendências criminosas …).

Não podemos considerar como catastrófico para a humanidade qualquer tipo de intervenção cerebral, mas também não podemos embarcar no sonho utópico de uma intervenção cerebral que nos proteja da doença e nos remova os traços traumáticos do passado.

Devemos também estar atentos para a estratégia seguida que é sempre a mesma: começa por se apresentar a intervenção como um novo método brilhante e inovador para o tratamento de uma doença incapacitante (para que ninguém se lhe possa opor), para de seguida a alargar a outros campos.

 

Os Transhumanistas

 

Desde 2008, quando se apresentaram macacos que com sensores implantados no cérebro conseguiam controlar um braço robô para alcançar peças de fruta, ficou demonstrado que a mente tem a capacidade para movimentar objetos, o que significa que será o próprio cérebro que funcionará como máquina de controlo remoto, estendendo assim as capacidades humanas.

A World Transhumanist Association fundada em 1998 por Nick Bostrom e David Pearce, é “uma organização associativa internacional sem fins lucrativos que defende a utilização da ética da tecnologia em vista da extensão das capacidades humanas”.

Segundo ela, o desenvolvimento humano está longe de ter sido alcançado, e, portanto, todas as variedades das tecnologias que têm aparecido, inteligência artificial, farmacologia neurológica, cibernética, nanotecnologia, são portadoras de potencialidades de extensão das capacidades humanas.

O problema é: devemos fazê-lo? Que restrições éticas se deverão observar?

Mas estes “transhumanistas” são bem-intencionados. Eles pretendem a acessibilidade para todos a todas as tecnologias potenciadoras, para que assim se possa fazer um autêntico aperfeiçoamento da condição humana.

Mas, quem o decidirá e fará? Quem decidirá modificar crianças, selecionar embriões e com que equidade? Estarão o estado e as instituições privadas impedidas de o fazer?

A resposta dos “transhumanistas” é que será o sujeito autónomo que decidirá livremente sobre os atos que levem a alterar a sua ‘natureza’.

Teoricamente, somos um mecanismo biológico cujas propriedades, incluindo as mentais, podem ser manipuladas com o consentimento próprio. Mas, o que sucederá se o meu próprio poder de decisão estiver já ‘marcado’ pela manipulação genética e o indivíduo autónomo não estiver já presente?

 

A Tecno gnose

 

A “tecno gnose” do New Age anunciada no livro O Símbolo Perdido de Dan Brown, implica a capacidade de, através de implantes neurológicos adequados, passar da nossa realidade ‘comum’ a uma realidade alternativa concebida no computador, sem necessidade daqueles óculos, luvas, etc. da realidade virtual, uma vez que os sinais alcançarão diretamente o cérebro, passando por cima dos órgãos sensoriais.

Os seres humanos poderão finalmente agirem diretamente sobre o mundo através do simples pensamento, reconciliando-se assim a magia e a ciência, a fé e o saber. O pensamento gera imediatamente o objeto que percebe, colmatando a distância que separa a intuição da produção, capacidade até ao momento só reservada à mente infinita divina.

Ou seja, para o New Age a separação entre pensamento e realidade é o obstáculo a superar no caminho de uma nova humanidade.

O problema que se põe é que a separação do pensamento e da realidade, a distanciação do pensamento relativamente à realidade, é exatamente aquilo que sustenta a nossa liberdade de pensamento.

Para o New Age, a catástrofe ecológica não passa de “uma simples expressão material de um processo psíquico espiritual, forçando a nossa transição para um estado de consciência novo e mais intenso”.

A sua versão espiritualista da nova ordem social assenta numa “organização social não hierárquica baseada na confiança e na telepatia […] uma civilização […] que se fundará mais na cooperação do que no tipo de competição em que o vencedor fica com tudo, mais no suficiente do que no excessivo, mais na solidariedade comunitária do que no elitismo individual, reafirmando a natureza sagrada de toda a vida terrena”.

 

A ecologia espiritual

 

Para se perceber o que é esta chamada corrente da “ecologia espiritual”, o melhor talvez seja utilizar o exemplo das abelhas que têm vindo a morrer, atingindo 80% das colmeias. A catástrofe que daí advém é por todos conhecida (elas são responsáveis por 80% da polinização da nossa provisão de alimentos).

Muitas têm sido as causas atribuídas: efeitos tóxicos dos pesticidas, a interferência dos nossos instrumentos de comunicação na perca do seu sentido de orientação, etc.

Esta multiplicidade de causas torna incerta a ligação entre causa e efeito, e sempre que isto acontece, há uma tentação para se procurarem explicações mais profundas e espirituais.

É o caso da “ecologia espiritual”, segundo a qual tal acontece, ou porque as abelhas, ao serem tratadas como colónias de escravos, campos de concentração, sentindo-se exploradas, se suicidavam como meio de fuga, ou ainda por estarmos perante uma condição em que a Terra Mãe, ao sentir-se abusada, nos resolve retaliar.

Contra estas tentações espiritualistas devemos ter presente, como diz Zizek, que ”há coisas que sabemos que sabemos (a vulnerabilidade das abelhas aos pesticidas), coisas que sabemos que não sabemos (o modo como as abelhas reagem às radiações causadas pelos homens), mas também, e acima de tudo, há não-saberes não-sabidos (o modo como as abelhas interagem com o seu meio, que não só ignoramos como não sabemos sequer que existem) e saberes não-sabidos (os preconceitos antropocêntricos que distorcem o estudo que delas fazemos).

 

Daí que, a resposta a todas estas autoilusões e dissimulações que pretendem iludir a vida, só pode ser dada se tivermos presente a grande lição básica do darwinismo: a da extrema contingência da natureza.

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