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Os Tempos em que Vivemos

Um olhar, uma tentativa de compreensão sobre algumas coisas que são vida.

Os Tempos em que Vivemos

Um olhar, uma tentativa de compreensão sobre algumas coisas que são vida.

(377) Aparências e realidade.

Tempo estimado de leitura: 9 minutos.

 

Quando não alcançamos os nossos objetivos, quando os nossos sonhos são inatingíveis, somos ensinados que tal não é devido à injustiça económica, social ou política, mas a falhas dentro de nós.

 

A classe dominante, por meio de gurus de autoajuda como Oprah, pregadores do “evangelho da prosperidade” e da indústria do entretenimento, privatizou a esperança.

 

O único poder que os cidadãos têm é através do coletivo, sem esse coletivo somos tosquiados como ovelhas.

 

Pode-se saber o que os oligarcas mais temem, por aquilo que eles mais procuram destruir – os sindicatos, C. Hedges.

 

 

 

 

Em 1973, a cantora francesa Dalida e Alain Delon, interpretaram uma canção de grande sucesso, “Paroles, paroles” (Palavras, palavras). Vale a pena ouvi-la. Permito-me transcrever a parte final:

Que tu es belle                                                     Como tu és bela
Paroles et paroles et paroles                                Palavras e palavras e palavras
Que tu est belle                                                   Como tu és bela
Paroles et paroles et paroles                                Palavras e palavras e palavras
Que tu es belle                                                     Como tu és bela
Paroles et paroles et paroles                                Palavras e palavras e palavras
Que tu es belle                                                     Como tu és bela
Paroles et paroles et paroles et paroles                Palavras e palavras e palavras
Et encore des paroles que tu sèmes au vent         E mais palavras que semeias ao vento

 

 

 

Parece que se está a verificar nos Estados Unidos um ressurgimento dos sindicatos, com uma vaga de novas sindicalizações que começaram após a crise de 2008 que têm vindo progressivamente a aumentar, e com a incorporação de novos quadros mais qualificados.

Várias explicações têm sido avançadas, desde os despedimentos provocados pela crise de 2008, depois pela pandemia e retração económica que se lhe seguiu, etc. Mas para a alteração e melhoria do nível qualitativo dos quadros sindicais, o fator mais importante talvez tenha sido o da dificuldade de emprego e baixos salários com que os licenciados se enfrentaram, que os tem levado a integrarem-se nos sindicatos, elevando com isso os níveis das discussões laborais para outro patamar. Ou seja, argumentos primários e missangas patronais já não os convencem facilmente.

Esta aparente importância das novas lutas sindicais é reconhecida como uma realidade que está a acontecer quando os principais órgãos de comunicação social colocam como notícias de primeira página a formação de sindicatos em algumas das grandes empresas, conglomerados, ou o que queiram chamar desde que sejam adjetivadas como grandes ou enormes, como a Amazon e a Starbucks, e quando o Presidente Biden recebe na Casa Branca a seu convite o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do centro de distribuição de Staten Island (Nova Iorque) da Amazon, Christian Smalls, juntamente com outros trabalhadores sindicais da Starbucks e de outras empresas.

 

Só que, ao mesmo tempo, o governo Biden, recompensou a Amazon, que faz de tudo contra a sindicalização dos trabalhadores, com mais um contrato de 10 biliões de dólares para o fornecimento de ‘serviços de informática’ a prestar à Agência de Segurança Nacional (NSA).

Atente-se que este contrato com a NSA é um dos 26 contratos que a Amazon tem com o Exército e a Força Aérea dos EUA, com o Departamento de Saúde e Serviços Humanos, com o Departamento de Segurança Interna, com o Departamento do Interior e com o do Censo.

Se na realidade Biden quisesse demonstrar uma posição poderosa em nome dos trabalhadores, como aliás prometera (“to make sure that federal dollars do not flow into the hands of unscrupulous employers who engage in union-busting, participate in wage theft, or violate labor law”), poderia antes ter optado por reter esses contratos federais até que a Amazon permitisse a organização sindical livre e aberta.

Uma pequena nota: após a vitória sindical em Staten Island, a Amazon, umas semanas depois, despediu meia dúzia de chefes desse centro de trabalho por não terem sabido fazer abortar o nascimento do sindicato.

 

 

Eis alguns excertos de um recente artigo mais informado de Chris Hedges sobre este assunto:

 

“[…] Pode-se saber o que os oligarcas mais temem, por aquilo que eles mais procuram destruir – os sindicatos. A Amazon, o segundo maior empregador do país depois do Walmart, despeja recursos impressionantes para bloquear a organização sindical, tal como o Walmart. De acordo com documentos do tribunal, formou uma equipe com 10 departamentos, que incluía um grupo de segurança composto por militares veteranos, para combater a organização sindical de Staten Island, com planos para destruir a atividade sindical de acordo com o que constava do seu “Manual de Resposta a Protestos” (Protest Response Playbook) e do “Manual de Atividade Laboral” (Labor Activity Playbook). As equipes antigrevistas organizavam reuniões obrigatórias exaustivas, tipo maoísta, até 20 por dia, com trabalhadores, onde os supervisores denegriam os sindicatos. Utilizaram subterfúgios tornando difícil a votação num sindicato. Colocaram cartazes antissindicais nas casas de banho. Demitiram trabalhadores suspeitos de pertencerem à organização sindical.”

 

“[…] A Amazon, como a maioria das grandes corporações, não tem quaisquer compromissos com os direitos dos trabalhadores nem com a nação. Foge aos impostos por meio de uma série de escapadelas criadas pelos seus lobistas em Washington e aprovadas pelo Congresso. A empresa evitou cerca de 5,2 biliões de dólares em impostos federais em 2021, apesar de ter registrado lucros recordes de mais de 35 biliões de dólares. Desses lucros pagou apenas 6% no imposto de renda federal. A Amazon registou receitas de mais de 11 biliões de dólares em 2018, mas não pagou impostos federais e ainda recebeu 129 milhões de dólares de devolução de impostos. Jeff Bezos, da Amazon, o segundo homem mais rico do mundo, vale mais de 180 biliões de dólares. Ele, como Elon Musk, o homem mais rico do mundo, com património de 277 biliões de dólares, brinca com foguetões espaciais como se fossem brinquedos e está a acabar a construção do seu iate de 500 milhões de dólares, o maior do mundo.

 

Bezos é dono do Washington Post. O bilionário biocientista Patrick Soon-Shiong é dono do Los Angeles Times. Os fundos de risco e outras empresas financeiras possuem metade dos jornais diários nos Estados Unidos. A televisão está nas mãos de cerca de meia dúzia de corporações que controlam 90% do que os americanos veem. A WarnerMedia, atualmente de propriedade da AT&T, é proprietária da CNN e da Time Warner. A MSNBC é propriedade da Comcast, que é uma subsidiária da General Electric, a 11ª maior empreiteira da defesa nos EUA. A News Corp é proprietária do The Wall Street Journal e do New York Post. Os oligarcas dominantes não se importam com o que vemos e ouvimos, desde que permaneçamos fascinados pelos espetáculos triviais e emocionalmente motivantes que eles proporcionam. Nenhum desses veículos desafia os interesses de seus proprietários, acionistas ou anunciantes, que orquestram o ataque aos trabalhadores. Quanto mais poderosos os trabalhadores se tornarem, mais a comunicação social se armará contra eles.”

 

“[…] Os Estados Unidos tiveram as guerras contra os trabalhadores mais violentas do mundo industrializado, com centenas de trabalhadores assassinados por capangas de empresas e milícias, milhares de feridos e dezenas de milhares colocados na lista negra. A luta pelos sindicatos, e com eles salários decentes, benefícios e proteção ao emprego, foi paga com rios de sangue da classe trabalhadora e tremendo sofrimento. A formação de sindicatos, como no passado, acarretará uma longa e cruel guerra de classes. O aparato de segurança e vigilância, incluindo a Segurança Interna e o FBI, será implantado, juntamente com empreiteiros privados e bandidos contratados por corporações, para monitorar, infiltrar e destruir organizações sindicais.

 

Os sindicatos possibilitaram, por um tempo, um salário de classe média para trabalhadores da indústria automóvel, motoristas de autocarros, eletricistas e trabalhadores da construção civil. Mas esses ganhos foram revertidos. Se o salário mínimo tivesse acompanhado o aumento da produtividade, como apontou o New York Times, os trabalhadores estariam a ganhar pelo menos 20 dólares por hora.

 

A organização de sindicatos nascente na Amazon, Starbucks, Uber, Lyft, John Deere, Kellogg, a fábrica de metais especiais em Huntington, West Virginia, propriedade da Berkshire Hathaway; REI, Northwest Carpenters Union, Kroger, professores em Chicago, Sacramento, West Virginia, Oklahoma e Arizona; trabalhadores de fast food, centenas de enfermeiros em Worcester, Massachusetts, e os membros da International Alliance of Theatrical Stage Employees são sinais de que os trabalhadores estão a descobrir que o único poder real que têm é como coletivo, embora apenas uns míseros 9% da força de trabalho dos EUA seja sindicalizada. Mil e quatrocentos trabalhadores de uma fábrica da Kellogg's em Omaha, que fabrica os Cheez-Its, conseguiram um novo contrato com aumentos salariais de mais de 15% ao longo de três anos depois de no outono passado terem entrado em greve por quase três meses.

 

A traição da classe trabalhadora pelo Partido Democrata, especialmente durante o governo Clinton, que fez acordos comerciais que permitiram que trabalhadores explorados no México ou na China substituíssem os trabalhadores sindicalizados nos EUA. A legislação anti trabalhista foi aprovada por políticos nos dois partidos, comprados e pagos pelo poder em nome das grandes empresas. A desindustrialização e a insegurança no emprego transformaram-se na economia do faz de conta (gig), onde os trabalhadores são reduzidos a viver com salários de subsistência, sem benefícios ou segurança no emprego, e com poucos direitos.

 

Os capitalistas, como Karl Marx apontou, têm apenas dois objetivos: reduzir o custo do trabalho, o que significa empobrecer e explorar os trabalhadores, e aumentar a taxa de produção, o que geralmente ocorre por meio da automação, como os omnipresentes robôs laranja da Amazon carregando prateleiras amarelas em andares de armazém de milhões de pés quadrados. Quando os seres humanos interferem nesses dois objetivos capitalistas, eles são os sacrificados.

 

As dificuldades financeiras que afligem os trabalhadores, presos na servidão por dívidas e perseguidos por bancos, empresas dos cartões de crédito, empresas de empréstimos estudantis, serviços públicos privatizados, a economia gig, um sistema de saúde com fins lucrativos que não impediu os EUA de terem cerca de um sexto de todas as mortes relatadas por COVID-19 em todo o mundo - embora tenhamos menos de um décimo segundo da população mundial - e os empregadores que pagam salários baixos e não fornecem benefícios estão a ficar cada vez piores, especialmente com o aumento da inflação.

 

Biden, enquanto esbanja 13,6 biliões de dólares na Ucrânia e expande o orçamento militar para 754 biliões de dólares, supervisionou a extensão da perda de benefícios de desemprego, a assistência de aluguer de habitação, a tolerância para empréstimos estudantis, os cheques de emergência, a moratória sobre despejos e agora o fim da expansão do crédito de imposto infantil. Ele recusou-se a cumprir até mesmo as suas promessas de campanha mais ligeiras, como o aumentar o salário mínimo para 15 dólares por hora e o perdoar os empréstimos estudantis. O seu projeto Build Back Better foi destruído sem regresso.

 

Os trabalhadores da Amazon, como muitos trabalhadores americanos, enfrentam condições de trabalho terríveis. Eles são forçados a trabalharem por turnos obrigatórios de 12 horas. Eles são impedidos de irem à casa de banho, tendo muitas vezes de urinar em garrafas. Eles, no verão, suportam temperaturas sufocantes dentro do armazém. Eles têm de digitalizar um novo item a cada 11 segundos para atingirem a sua quota. A empresa sabe imediatamente quando eles se atrasam. Se deixarem de cumprir a quota, é demitido.

 

Will Evans, num artigo de investigação “Reveal”, do The Center for Investigative Reporting, descobriu que ‘a obsessão da empresa com a velocidade transformou os seus armazéns em fábricas de lesões’. Evans acumulou relatórios de lesões internas de 23 dos 110 ‘centros de atendimento’ da empresa em todo o país. ‘Em conjunto’, escreve ele, ‘a taxa de lesões graves nessas instalações foi mais que o dobro da média nacional do setor de armazenamento: 9,6 lesões graves por 100 trabalhadores em tempo integral em 2018, em comparação com uma média da indústria naquele ano de 4’.

Aqueles que estão lesionados, Evans descobriu, são ‘postos de lado como bens danificados ou enviados de volta para trabalhos que os prejudicam ainda mais’.

 

O que aconteceu a Parker Knight na Amazon, um veterano com deficiência que trabalhou no armazém de Troutdale, Oregon, este ano, mostra a precisão implacável do sistema da Amazon’, escreve Evans. ‘Knight teve permissão para trabalhar em turnos mais curtos depois de sofrer lesões nas costas e no tornozelo no armazém, mas o ADAPT [programa de rastreamento de software] não o poupou. Knight foi multado três vezes em maio por não cumprir sua cota. As expectativas eram precisas. Ele tinha que escolher 385 itens pequenos ou 350 itens médios a cada hora. Ao fim de uma semana, ele tinha atingido 98,45% da sua taxa esperada, mas isso não foi considerado suficientemente bom. Esse déficit de velocidade de 1,55% fez-lhe receber mais um aviso por escrito – o último antes da rescisão.’

 

O New York Times revelou no ano passado que a Amazon também tem regularmente como alvo os que foram pais recentes, os doentes que se debatem com crises médicas e outros trabalhadores vulneráveis ​​em licença.

Trabalhadores em todo o país que enfrentam problemas médicos e outras crises de vida, foram demitidos quando o software de atendimento erroneamente os marcou como faltosos, isto segundo antigos e atuais membros da equipe de recursos humanos, alguns dos quais falariam apenas anonimamente por medo de represálias’. informou o jornal. ‘As notas dos médicos desapareceram em buracos negros dos bancos de dados da Amazon. Os funcionários pugnavam até mesmo para conseguirem entrar em contacto com os gerentes do caso, percorrendo redes telefónicas automatizadas que encaminhavam as suas chamadas para funcionários sobrecarregados do back-office na Costa Rica, Índia e Las Vegas. E todo o sistema de licenças era uma manta de retalhos de programas que muitas vezes não falavam uns com os outros. Alguns trabalhadores que estavam prontos para regressar descobriram que o sistema estava com muito backup para os processar, o que resultava em semanas ou meses de perda de vencimento. Funcionários mais bem pagos, que tiveram que navegar pelos mesmos sistemas, descobriram que arranjar uma licença de rotina podia-se transformar num pântano.’

 

A história demonstrou que o único poder que os cidadãos têm é através do coletivo, sem esse coletivo somos tosquiados como ovelhas. Esta é uma verdade que a classe dominante passa muito tempo obscurecendo.

 

A classe dominante, por meio de gurus de autoajuda como Oprah, pregadores do ‘evangelho da prosperidade’ e da indústria do entretenimento, efetivamente privatizou a esperança. Eles vendem a fantasia de que a realidade nunca é um impedimento para o que desejamos. Se acreditarmos em nós mesmos, se trabalharmos duro, se entendermos que somos verdadeiramente excecionais, podemos ter o que quisermos. A privatização da esperança é perniciosa e autodestrutiva. Quando não alcançamos os nossos objetivos, quando os nossos sonhos são inatingíveis, somos ensinados que tal não é devido à injustiça económica, social ou política, mas a falhas dentro de nós. A história demonstrou que o único poder que os cidadãos têm é através do coletivo, sem esse coletivo somos tosquiados como ovelhas. Esta é uma verdade que a classe dominante passa muito tempo obscurecendo.

 

Qualquer avanço que façamos na justiça social, política e económica é imediatamente atacado pela classe dominante. A classe dominante reduz os ganhos que obtemos, que foi o que aconteceu após a ascensão dos movimentos de massa na década de 1930 e mais tarde na década de 1960. Os oligarcas procuram extinguir o que o cientista político Samuel Huntington cinicamente chamou de ‘excesso de democracia’. O sociólogo Max Weber, por isso, chamou a política de vocação. A mudança social não pode ser alcançada simplesmente pelo voto. Exige um esforço constante e incessante. É uma luta interminável por uma nova ordem política, que exige dedicação ao longo da vida, organizando-se para manter os excessos vorazes do poder sob controle e o sacrifício pessoal. Esta vigilância eterna é a chave para o sucesso.

 

Enquanto escrevo, a vasta maquinaria da Amazon está sem dúvida a planear destruir o sindicato em Staten Island. Não pode permitir que seja um exemplo de sucesso. Possui 109 ‘centros de atendimento’ que está determinada a manter não sindicalizados. Mas, se não nos acomodarmos, se nos continuarmos a organizar e a resistir, se unirmos as nossas armas com os nossos aliados sindicalizados em todo o país, seremos capazes.”

 

 

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