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Os Tempos em que Vivemos

Um olhar, uma tentativa de compreensão sobre algumas coisas que são vida.

Os Tempos em que Vivemos

Um olhar, uma tentativa de compreensão sobre algumas coisas que são vida.

(206) Hitler deu muito nas vistas

Tempo estimado de leitura: 4 minutos.

 

O termo “eugenia”, aparece pela primeira vez em 1883, na obra Inquiries into Human Faculty and Its Development, do inglês Sir Francis Galton. Segundo ele, a posição ocupada na sociedade pelas classes altas, devia-se ao facto da sua superioridade genética.

 

A esterilização sem o consentimento do indivíduo foi aplicada em quase todas as nações ao longo do século XX. 

 

Em 1928, as principais universidades americanas tinham 376 disciplinas sobre eugenia, frequentadas por mais de 20.000 estudantes.

 

No total, 425.000 prisioneiros de guerra alemães foram trazidos para os EUA, e concentrados em 700 campos, espalhados por todo o território.

 

 

 

 

 

O ex-presidente do Peru, Alberto Fujimori, admitiu que, com o intuito de reduzir a natalidade para assim aliviar a pobreza, instituiu, entre 1990 e 2000, um programa, no qual cerca de 300.000 pessoas, na sua grande maioria mulheres, foram esterilizadas.

As mulheres que foram alvo do programa eram normalmente pobres, falantes de Quechua, a quem lhes era dito que se não consentissem na esterilização deixariam de receber qualquer ajuda social, incluindo a ajuda alimentar (https://www.theguardian.com/global-development/2016/jan/04/peru-forced-sterilisation-quipu-project-alberto-fujimori).

 

 

Em 2017, Yvonne Boyer  Judith Barlett, publicaram um estudo sobre a esterilização forçada de mulheres indígenas na região de Saskatoo, Canadá (https://www.saskatoonhealthregion.ca/DocumentsInternal/Tubal_Ligation_intheSaskatoonHealthRegion_the_Lived_Experience_of_Aboriginal_Women_BoyerandBartlett_July_22_2017.pdf), em que chamam a atenção para a destruição de linhagens ancestrais dos povos indígenas bem como de muitas vidas, originadas pela utilização dessas políticas.

Estima-se que desde 1929 até 1972, após a publicação do Sexual Sterilization Act (1928), 2.800 pessoas tenham sido esterilizadas. Essas esterilizações eram feitas “na tentativa de controlarem as populações marginais”, consideradas como não tendo quaisquer possibilidades de serem integradas na sociedade. Encontra-se bem documentada a utilização de instituições “mentais” para a realização dessas experiências de esterilização.

 

A esterilização sem o consentimento do indivíduo, foi praticado na Suécia entre 1906 e 1975. Eram invocadas razões médicas, eugénicas (se fossem consideradas loucas ou com doenças severas) ou sociais (espírito fraco, com estilo de vida antissocial). Das 56.500 esterilizações efetuadas, 30.000 foram feitas voluntariamente e por iniciativa do paciente.

 

O termo “eugenia”, aparece pela primeira vez em 1883, na obra Inquiries into Human Faculty and Its Development, do inglês Sir Francis Galton. Segundo ele, a posição ocupada na sociedade pelas classes altas, devia-se ao facto da sua superioridade genética.

 Os seus seguidores acreditavam que, através da seleção, a humanidade poderia melhorar a sua própria evolução. Acreditavam na superioridade dos povos nórdicos, germanos e anglo-saxónicos, defendiam uma imigração restritiva e leis contra a miscigenação, bem como a esterilização compulsória dos pobres, deficientes físicos ou “imorais” (Nancy Ordover, American Eugenics: Race, Queer Anatomy, and the Science of Nationalism).

 

A nascente classe média americana, bem como grande parte dos académicos (em 1928, as principais universidades americanas tinham 376 disciplinas sobre eugenia, frequentadas por mais de 20.000 estudantes) e intelectuais, concordavam com estas ideias, que eram extensivamente suportadas pelas grandes empresas como a Carnegie Institution, a Rockefeller Foundation, a Harriman, e outras.

 

O primeiro estado a tentar introduzir a esterilização compulsiva foi Michgan, em 1897, mas que foi vetada. É o estado de Indiana que consegue em 1907 a primeira aprovação, logo seguido de Washington e da Califórnia, em 1909. Entre 1909 e 1960, a Califórnia procedeu a 20.000 esterilizações eugénicas, um terço do total nacional de 60.000.

Há um livro do biólogo americano, Paul Popenoe, Sterilization for Human Betterment: A Summary of Results of 6,000 Operations in California, 1909-1929, que apresenta um relatório muito favorável sobre os resultados alcançados por essa política de esterilização efetuada na Califórnia, e que foi largamente citado pelo governo da Alemanha nazi como evidência que os programas de esterilização produziam na prática bons resultados, eram possíveis e humanos.

 

 

O genocídio na Alemanha nazi não começou, nem foi apenas aplicado só aos judeus. Ele começou com o programa de eutanásia para ser aplicado a todos os que fossem considerados como mental e fisicamente incapazes, vindo a abranger um total de cerca de 212.000 alemães.

Eis o que conta Laurence Rees (2005) no seu estudo, Auschwitz. The nazis and the “final solution”:

 

No mesmo mês, junho de 1941, uma série de decisões tomadas a muitas milhas de distância teve como resultado tornar Auschwitz num sítio ainda mais sinistro. Prisioneiros de Auschwitz estavam prestes a serem assassinados pela primeira vez por gaseamento, e não ainda segundo o método pelo qual o campo haveria de se vir a tornar tristemente conhecido. Estes reclusos iriam ser mortos porque se tornaram vítimas do programa nazi de “eutanásia para adultos”. Esta operação de assassinato teve a sua origem num decreto do Führer, de outubro de 1939, que autorizava médicos a selecionarem pacientes com doenças mentais crónicas ou fisicamente incapacitados e a matá-los.

De início foram utilizadas injeções de produtos químicos para assassinar os incapacitados, mas, mais tarde, o monóxido de carbono dos gases de escape dos camiões de transporte, passou a ser o método preferido. As câmaras de gás, desenhadas de modo a que parecessem salas para banhos de chuveiro, foram construídas em centros de matança especiais, a maioria antigos hospitais psiquiátricos.

Alguns meses antes de emitir o seu decreto de outubro, Hitler tinha autorizado a seleção e assassinato de crianças deficientes. Ao fazer tal, seguia a gélida lógica da sua visão ultra-darwinista do mundo. Estas crianças perderam o direito às suas vidas porque eram fracas e constituíam um encargo para a sociedade alemã. E, como profundo crente da teoria racial, estava preocupado com a possibilidade de estas crianças serem capazes de se reproduzirem quando atingissem a idade adulta.

 

 

Durante a Segunda Guerra Mundial, os navios americanos que atravessavam o Atlântico em direção à Europa (especialmente Inglaterra) e África, iam cheios de carga (material de guerra, alimentos, medicamentos, e o que fosse preciso), e regressavam normalmente quase vazios. A partir dos primeiros contactos com as tropas da Alemanha nazi e da Itália fascista, passaram a trazer na viagem de regresso, prisioneiros de guerra alemães e italianos.

 

No total, 425.000 prisioneiros de guerra alemães foram trazidos para os EUA, e concentrados em 700 campos, espalhados por todo o território. Talvez com uma ou outra exceção, o tratamento que receberam foi bom, ao ponto de os guardas americanos negros terem feito notar que os prisioneiros podiam visitar restaurantes segregados que eles não podiam. A confraternização com a sociedade americana excedeu as espectativas. Alguns alemães encontraram durante esse tempo as suas futuras mulheres.

Em alguns dos campos, permitia-se a promoção da ideologia nazi. Mesmo perto do fim da guerra em 1945, oito dos vinte jornais editados nos campos, advogavam a ideologia nazi.

 (https://web.archive.org/web/20090724212120/http://www.ncmuseumofhistory.org/collateral/articles/S08.Enemies.And.Friends.pdf).

 

 

 

Nota: é elucidativa a leitura da pequena biografia de Paul Popenoe (1888-1979) que defendia a esterilização eugénica como solução, e a inferioridade rácica dos negros. Após a Segunda Guerra, passou a editor de revistas femininas e a consultor matrimonial (https://en.wikipedia.org/wiki/Paul_Popenoe).

 

 

 

 

 

 

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