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Os Tempos em que Vivemos

Um olhar, uma tentativa de compreensão sobre algumas coisas que são vida.

Os Tempos em que Vivemos

Um olhar, uma tentativa de compreensão sobre algumas coisas que são vida.

Mover as regiões infernais

 “Todos condenamos a distinção de classe, mas são muito poucos os que querem seriamente aboli-las”, George Orwell.

A Igreja, enquanto instituição deve ser investigada tendo em vista o modo como cria sistematicamente condições que favorecem os crimes em causa”, Slavoj Zizek, referindo-se à pedofilia.

Todo o choque de civilizações é na realidade o choque entre as barbáries que lhes estão subjacentes”, Walter Benjamin.

 

Moverei as regiões infernais” é uma citação de Virgílio que Freud usa em epígrafe na sua extensa obra sobre a Interpretação dos Sonhos.

Segundo Freud, os sonhos estavam intimamente relacionados com essas regiões interiores que precisavam ser agitadas e perturbadas. Mas, se virmos bem, não serão só os sonhos que precisam de ser abanados: toda a nossa vida quotidiana, os nossos costumes, assentam em mundos subterrâneos, por vezes muito escuros, que necessitam ser revolvidos. Falemos de alguns deles.

Sabemos que pertencer a uma sociedade trás consigo momentos em que nos é ordenado que aceitemos livremente (obviamente fazendo a ‘nossa’ escolha), aquilo que de outra maneira nos é imposto. Daí que a livre escolha não passe de uma aparência de livre escolha onde não há escolha. Dizem os teóricos que a livre escolha não passa de um “gesto simbólico vazio”, na medida que é normalmente um gesto que se destina a ser rejeitado.

É o que se passa, por exemplo, quando pedimos desculpa a outra pessoa. Depois da ação feita, esse pedido de desculpa não irá reverter a ação, de nada servindo. Daí o outro, também convencionalmente, dizer ‘de nada’ ou ‘não é preciso’. Mas será mesmo assim? O pedido de desculpas é meramente formal? Não é, porque a diferença é que podemos salvar uma amizade.

A forma nunca é uma ‘mera’ forma, tem sempre uma dinâmica própria que deixa marcas na vida social. Daí que quando nos dizem que as ‘liberdades burguesas’ são meramente formais, esquecem-se que foram elas que propiciaram exigências políticas e materiais, desde o sindicalismo até ao feminismo. Mais: se elas não perturbam o poder (pelo simples fato de serem só formais) então porque não são (foram) permitidas?

Para se poder viver numa sociedade temos de seguir um certo número de regras que nos aparecem como costumes. Os costumes são um conjunto complexo e intrincado de regras informais que nos permitem saber lidar com as normas explícitas da sociedade em que vivemos, para que as saibamos aplicar e aceitar, mesmo quando essa aceitação implique um jogo de desrespeito mutuamente consentido.

São usos e costumes as nossas ideias sobre o mal e o bem, sobre o que é agradável e desagradável, o que é divertido e sério, o que é belo e feio, bem como o sentido de honra, os modos à mesa, o modo de falar, o sotaque, o vestuário, o cheiro. Tudo isto são ideias da classe média em que estamos inseridos e que nos definem como seres sociais, muitas vezes contrastando com a perceção que temos de nós próprios.

Mesmo assim devemos estar atentos às diferenças que surgem: por exemplo, nos EUA os prédios começam com o piso 1 ao passo que na Europa tal é considerado como r/c ou piso 0; os elevadores nos hotéis americanos não têm botão de décimo terceiro piso, passando do 12º para o 14º. Se o primeiro caso se pode explicar pela não existência de tradição pré-moderna nos EUA (a tradição europeia é a da existência de um nível já inicialmente existente antes de se ter começado a numerar), o segundo (para não dar azar) não passa de um truque para enganar Deus, o que torna o seu Deus um simples prolongamento dos seus euses acriançados, leves e individuais: numa sociedade que se crê fundamentalmente religiosa, Deus não é percebido como o fundamento do ser.

Curioso também o que se passa com o cheiro. O cheiro é talvez a característica que mais define a classe média, pois ela sente que as classes que lhe são inferiores têm cheiro, mau cheiro, especialmente porque não se lavam com a regularidade que o deviam fazer. Daí a proliferação de sabonetes, desodorizantes, perfumes, não vão eles terem o cheiro das classes baixas. É tal a importância deste assunto que até o Ministério da Saúde holandês recomenda aos seus cidadãos que libertem gases pelo menos quinze vezes ao dia para evitar pressões internas prejudiciais. E começaram a aparecer no mercado latas de feijões que não produzem nem flatulência nem mau cheiro. Basta, portanto, ir à dispensa de alguém para se saber a que classe pertence.

 

 

Em The Road to Wigan Pier, George Orwell escrevia em 1937:

Todos condenamos a distinção de classe, mas são muito poucos os que querem seriamente aboli-las. Encontramos aqui o fato notável de que qualquer opinião revolucionária extrair parte da sua força de uma convicção secreta de que nada mudará […] Enquanto se trata simplesmente de melhorar a sorte dos trabalhadores, qualquer pessoa decente está de acordo […] Mas infelizmente não se vai longe quando nos limitamos a desejar varrer as distinções de classe […] O que temos de enfrentar aqui é que abolir as distinções de classe significa abolirmos uma parte de nós próprios. Aqui me têm, um membro típico da classe média. É-me fácil dizer que gostaria de acabar com as distinções de classe, mas quase tudo o que penso e faço é resultado dessas distinções de classe […] Tenho de ser capaz de me transformar tão completamente que no fim dificilmente seria reconhecível como continuando a ser a mesma pessoa.

 

Mas os usos e costumes não se restringem só a esta parte leve e séria acima exposta. Há também aquela parte subterrânea pesada e obscena, extremamente difícil de transformar, que constitui o inconsciente dos costumes. São casos recorrentes como, por exemplo, os da pedofilia na Igreja Católica (não só), os das praxes militares e os das torturas infligidas.

A gravidade do problema da pedofilia na Igreja vem essencialmente do fato da cobertura que a hierarquia lhe dá. Mesmo que todos os pedófilos do mundo resolvessem acolitarem-se na Igreja, a Instituição não deveria conviver com as realidades patológicas da vida libidinal de cada um. Fazê-lo significa aceitá-lo como algo que necessita para a sua sobrevivência, para a sua reprodução. Há como que a criação de um ‘espírito de corpo’ (sem ser literalmente) que pode levar até sacerdotes que não sejam pedófilos acabarem por virem a ser pedófilos só para se sentirem dentro da lógica da instituição. Leva certamente a que muitos sacerdotes não a tenham denunciado, exatamente para não se sentirem excluídos. Trata-se de um “inconsciente institucional” (neste caso na defesa de um segredo obsceno íntimo) e que não pode ser resolvido apenas com a condenação individual dos crimes. “A Igreja enquanto instituição deve ser investigada tendo em vista o modo como cria as condições que favorecem os crimes em causa”.

Nos exércitos (e outras instituições) utilizam-se rituais de humilhação sexualizados e obscenos com vista a alcançar a ‘solidariedade’ do grupo. Um dos resultados desta ‘solidariedade’ observa-se no tratamento brutal dado aos homossexuais: espancamentos noturnos, ostracização e outros. No entanto, entre os ‘homens’ cultiva-se toda uma série de pseudo comportamentos homossexuais que vão desde as piadas obscenas até aos meneios e contorcionismos exibidos para gáudio dos camaradas. É este submundo caraterístico dos ‘homens’, estas “regiões infernais”, que têm de ser movidas se se quiser acabar com estas práticas homossexuais implícitas que suportam a homofobia explícita.

A tortura propositadamente infligida a outros seres humanos, nomeadamente em instituições fortemente hierarquizadas, como nas forças armadas, faz também parte deste mundo subterrâneo e escuro dos costumes. Tomemos o exemplo de Abu Ghraib, a prisão no Iraque onde soldados americanos tiraram fotografias torturando e humilhando presos iraquianos. Se não soubéssemos que as fotografias se referiam a acontecimentos numa prisão no Iraque, facilmente acreditaríamos, sem estranhar, que elas se referiam a performances de espetáculos artísticos em Nova Iorque, ou a um qualquer escândalo passado numa unidade militar americana ou num campus universitário, durante práticas excessivas de rituais iniciáticos (praxe) de tortura e humilhação, ‘necessários’ para se ser admitido como membro da comunidade. Estas práticas são comuns na sociedade americana fazendo parte da sua cultura popular, daí que notícias e fotos similares apareçam recorrentemente na imprensa.

George Bush apressou-se a vir dizer que aqueles atos eram crimes isolados praticados por soldados americanos (idêntica desculpa da Igreja relativamente à pedofilia), que não representavam os valores pelos quais a América combatia: a democracia, a liberdade e a dignidade pessoal. Note-se como positivo o fato da pressão pública ter forçado Bush a dar estas explicações, que em qualquer outro país verdadeiramente totalitário não teriam lugar (o caso seria liminarmente abafado).

Há, contudo, dois problemas relacionados com estas práticas e costumes, que têm de ser melhor analisados. É que, muito embora tal tipo de tortura psicológica possa estar entranhado na cultura popular, nos casos dos rituais de iniciação acima descritos, as provas a que cada um se submete são uma ‘livre escolha’ (a mesma ‘livre escolha’ com que um trabalhador vende a sua força de trabalho) com a finalidade de virem a ser admitidos numa comunidade para que no futuro também eles poderem vir a aplicar aqueles rituais aos novos membros. Trata-se, portanto, de um ritual de inclusão. Aplicados aos prisioneiros, que não os sofrem voluntariamente, tais rituais são rituais de exclusão que visam mostrar-lhes que não pertencem à sociedade americana.

Só que, curiosamente, ao mostrar por aqueles métodos que os prisioneiros não pertenciam à sociedade americana, o que estavam a fazer era iniciar os iraquianos na cultura americana através da sua outra face obscena e oculta. Não se tratam, pois, só de atos cruéis de soldados individuais.

Walter Benjamin defende que “todo o choque de civilizações é na realidade o choque entre as barbáries que lhes estão subjacentes”. O que leva hoje Zizek a concluir que o choque entre as civilizações árabe e americana não é um choque entre a barbárie e o respeito pela dignidade humana, mas “um choque entre a tortura brutal e anónima (como a da Saddam, iminentemente física e escondida) e a tortura como espetáculo mediático no qual os corpos das vítimas servem de pano de fundo anónimo ao sorriso dos ‘rostos americanos inocentes’ dos próprios torcionários.”

O outro problema é o que foi focado no filme A Few Good Men (Uma Questão de Honra) de Bob Reiner, com Jack Nicholson, Tom Cruise e Demi Moore. Fuzileiros americanos acusados de espancarem um seu camarada e de lhe provocarem a morte fazem-no a coberto de uma regra não-escrita (o Código Vermelho) que autoriza essa atuação quando um soldado tenha infringido as obrigações éticas dos Marines. Apesar de ilegal, esse código verbal é suposto servir para a coesão do grupo e é do total conhecimento e aprovação dos superiores. Também noutro filme, o Apocalipse Now, a missão do Willard para matar Kurtz não fica registada: “Nunca aconteceu”, conforme diz o general que transmite as instruções a Willard.

Tal como com o Código Vermelho, também aqui a norma é o secretismo daquilo que o poder faz sem nunca o reconhecer. As torturas reveladas nas fotografias de Abu Ghraib embora não diretamente ordenadas caem nesta região da legitimação superior obscena sem a qual os soldados nunca se atreveriam a fazê-las. As tais “regiões infernais” a mover.

A Mãe (e o Pai) de todos os roubos

 A Reserva Federal não é um organismo público. É uma empresa com acionistas, melhor, é uma corporação privada com donos.

Por este processo o Governo pode secretamente e sub-repticiamente, confiscar a riqueza do povo, sem que um homem em cada milhão consiga detetar o roubo”, Keynes.

O moderno sistema bancário fabrica dinheiro a partir de nada. O processo constitui talvez o maior esquema de golpe de mão até hoje inventado”, Sir Josiah Stamp, Diretor do Banco de Inglaterra.

Agarra que é ladrão!” diz o ladrão.

 

 

Para tentarmos perceber como funciona o sistema financeiro do mundo a que pertencemos, nada melhor que apreciarmos o sistema americano, exemplo de todos os outros. Temos de dirigir a nossa atenção para as quatro instituições que estão na sua base: o Governo, o Sistema de Reserva Federal (Banco Central), o Tesouro (Ministério das Finanças) e os Bancos.

Os políticos, uma vez chegados ao Governo, para pagarem o cumprimento das suas promessas eleitorais, quer para com os seus eleitores quer para com aqueles que lhes financiaram as campanhas (muito mais para estes do que para com aqueles), vão ter que se socorrer de emissões de dívida que, em princípio, deveriam de estar pagas quando deixassem de ser governo.

Para isso, emitem Títulos de Dívida Pública (treasure bonds), que não passam de pedaços de papel onde está subentendido o seguinte: “Emprestam-me agora um trilião de dólares e eu prometo que dentro de 10 anos vos pago esse trilião de dólares acrescido de uma percentagem”. Os americanos chamam-lhes I.O.U. (I owe you, eu devo-te), ou seja, um acordo escrito para devolução de uma dívida. Não passam, pois, de promissórias, declarações de dívida.

Para isso, o Governo vai dar instruções ao Tesouro para que este emita títulos de dívida pública. Com esses títulos de dívida pública, o Tesouro vai leiloá-los entre os maiores Bancos, ganhando com isso um pequeno lucro resultante da taxa aplicada. Os grandes bancos vendem de seguida à Reserva Federal (RF) esses títulos.

Para pagar esses títulos, a Reserva Federal vai passar cheques no valor desses títulos, só que os cheques que passa não correspondem a nenhuma existência em caixa. Quando a Reserva Federal passa esses cheques, não tem nenhum depósito bancário em que ele possa ser levantado: é como se fosse um cheque de brincadeira, um cheque sem provisão. Quando a Reserva Federal emite um cheque baseado num papel que lhe chega, está a criar ‘dinheiro’. Que é o que ela faz quando de seguida entrega esse cheque a um banco seu membro. Com esse dinheiro, os bancos aprestam-se a comprarem mais títulos da dívida pública no próximo leilão do Tesouro.

 

 

Até aqui temos um primeiro circuito:

1. O Tesouro emite títulos de dívida (I.O.U., promissórias).

2. Os Bancos compram esses títulos e vendem esses títulos à Reserva Federal.

3. A Reserva Federal passa cheques (que não passam de novas promissórias, I.O.U.s, uma vez que não correspondem a nenhuma existência em caixa) e entrega-os aos grandes Bancos por troca dos títulos (I.O.U.) emitidos pelo Tesouro (I.O.U.s originais), “criando” assim dinheiro.

É assim desta forma que é aumentada a quantidade de dinheiro a circular vindo de nada. Que fique claro que o dinheiro assim criado, não passa de um papel com números, um recibo ou um cheque sobre um título de dívida do governo.

 

Um segundo circuito começa quando vamos a um banco depositar o nosso dinheiro:

Com esse nosso dinheiro depositado, os bancos podem fazer com ele o que quiserem, jogarem na Bolsa ou emprestarem, com exceção de uma pequena percentagem que por lei são obrigados a ficar como garantia (10%) do depósito. Por exemplo, de 100 euros nossos depositados, o banco empresta 90 sem nada nos dizer. Contudo, nos seus computadores vai ficar registado o nosso depósito de 100 euros acrescido de mais 90 de crédito disponível, o que dá para as contas do banco 190 euros. Daí que sempre que um banco concede um empréstimo assistimos à ‘criação’ de dinheiro em cheque.

Por sua vez, quem pede emprestado ao banco, pega nesse cheque de 90 euros e vai com ele pagar ao prestador de serviços que lhe vendeu o que for. Por sua vez, o vendedor vai depositar esse cheque na sua conta. E o banco vai ficar com 90% desse valor e vai voltar a fazer o mesmo, emprestando-o a outro. E a outro, e a outro. E isto passa-se com todos os bancos.

 

Temos assim dois circuitos: um, entre a Reserva Federal e o Tesouro, que vão trocando I.O.U.s entre eles, usando os Bancos como intermediários, criando “dinheiro”; outro, pelos próprios Bancos através da utilização do mecanismo da reserva fracionada que lhes permite criar mais 90%.

Estes processos repetem-se vezes sem conta, enriquecendo os bancos e endividando o público pelo aumento da dívida nacional. O resultado final é um acumular de títulos de dívida na reserva Federal e um acumular de cheques no Tesouro.

É por este meio que o dinheiro em papel é criado. Ele não é “moeda” porquanto não pode ser trocado quer por ouro quer por prata. Ele não passa de uma quantidade de números, um cheque ou um recibo sobre um título de dívida que o governo tem intenção de pagar. O “dinheiro” é hoje um pedaço de papel emitido pela Reserva Federal em que está gravado “This Note is Legal Tender for all Debts, Private and Public”.

O sistema assim montado, para poder continuar a funcionar necessita criar cada vez maiores níveis de dívida. Equilibrar o orçamento e pagar todas as dívidas ou viver só com os nossos meios, acarretaria uma deflação que conduziria à destruição do sistema.

 

Explicando de novo:

1. O Governo Federal manda imprimir Títulos de Dívida Pública (I.O.U.).

2. Estes Títulos de Dívida Pública aumentam obviamente a nossa dívida nacional, que deverá ser paga pelo público.

3. Estes I.O.U.s são trocados com o Tesouro, que os vai vender (leilão) aos grandes Bancos, criando assim dinheiro.

4. Por sua vez, os grandes Bancos vão vender à Reserva Federal, com uma certa margem de lucro, esta nossa dívida nacional (notar que a maior parte destes bancos é, provavelmente, dona da Reserva Federal, como veremos).

5. A Reserva Federal, que não tem qualquer dinheiro, passa cheques seus, para comprar estes I.O.U.s, ou seja, passa novos I.O.U.s escritos como se fossem cheques sobre uma conta que tem um balanço de zero.

6. Depois entrega esses cheques aos bancos, que como por mágica, são transformados em dinheiro.

7. Este processo repete-se, originando um acumular de Títulos de Dívida na Reserva Federal e um acumular de cheques no Tesouro. O Tesouro depois deposita, distribui, estes “números” em papel, pelos vários organismos do Governo.

8. O Governo vai gastar estes cheques no cumprimento de compromissos e promessas feitas, em obras públicas, programas sociais, guerras, operações secretas. Os empregados do governo, as empresas contratadas, os militares, depositam os seus cheques nos bancos.

9. Os bancos, através da possibilidade legal que lhes foi dada, vão poder apropriar-se de 90% dos nossos depósitos e emprestarem, multiplicando assim o dinheiro dos cheques depositados com a invenção de mais títulos de dívida. Estes cheques e dinheiro são de novo depositados e nova porção é apropriada. Este processo é repetido vezes sem conta, aumentando exponencialmente a quantidade de cheques e dinheiro.

10. Entretanto o público, que é quem dá valor ao dinheiro criado, através do seu trabalho, tempo e esforço, vai de novo ser roubado quando tiver de pagar o Imposto sobre o Rendimento (IRS) que acabará por ser entregue ao Tesouro para que este pague com juros os Títulos de Dívida Pública que foram comprados pela Reserva Federal com um cheque a partir do nada.

 

Aclaremos um pouco mais o que se passa com um dos principais intervenientes no processo:

Aquilo a que se chama de Reserva Federal, que tem como finalidade regular todo o sistema financeiro, contrariamente ao que muitos possam julgar não é um organismo público. É uma empresa com acionistas, melhor, é uma corporação privada com donos. Conforme consta da Federal Reserve Act, Secção 7, (a) 1.A: “Depois de todas as despesas da banca da Reserva federal terem sido pagas ou providenciadas, os acionistas do banco terão direito a redimirem um dividendo anual de 6 por cento, pago em capital”.

Quem são os acionistas? Segredo!

Mais: a Reserva Federal não responde perante ninguém, não tem orçamento, não está sujeita a ser auditada e o Congresso não conhece nem supervisiona as suas operações.

A este propósito dizia Greenspan que isto era o pequeno preço que se teria de pagar para evitar “colocar a política monetária debaixo da influência de políticos sujeitos às pressões e à curta duração dos ciclos eleitorais”. Em compensação, se a RF for antes conduzida por experientes financeiros, como é o caso, ficará a coberto dessas flutuações populares, podendo assim servir a longo prazo a procura do bem-estar do público em geral.

O grande culpado acaba por ser o público pois, por causa das eleições, são eles que sujeitam os políticos a pressões e tentações. Ou seja, mesmo sem o saber, o público necessitaria da RF. Sem o controle da RF a tendência seria para porem a circular mais dinheiro, embaratecendo o dinheiro e criando inflação.

Mas pensemos: como é que o público poderia criar, “imprimir” mais dinheiro, quando apenas uma instituição (a RF ou os Bancos Centrais) o pode fazer? Se só eles o podem fazer, quem é responsável pela inflação?

 

Sobre todo este complicado, pouco percetivo e pouco transparente esquema/sistema, muitas e variadas explicações têm sido fornecidas, de maior ou menor complexidade, normalmente sempre com o intuito de deixar o leigo à porta, caraterística que se tem expandido por todos os capítulos das ciências contemporâneas. Tendo isto em vista, nada melhor do que socorrer-me de alguns notáveis do meio, economistas, financeiros e teóricos.

Vejamos o que eles opinam sobre este sistema:

 

Nenhuma geração tem o direito de contrair dívidas que não possam ser pagas durante o tempo da sua existência”, George Washington.

 

Por este processo o Governo pode secretamente e sub-repticiamente, confiscar a riqueza do povo, sem que um homem em cada milhão consiga detetar o roubo”, Keynes.

 

O moderno sistema bancário fabrica dinheiro a partir de nada. O processo constitui talvez o maior esquema de golpe de mão até hoje inventado (..) O sistema bancário foi concebido em iniquidade e nasceu em pecado. Os banqueiros são donos da terra. Mesmo que a retirem deles, se lhes deixarem o poder para criarem dinheiro e controlarem o crédito, num instante eles criarão de novo dinheiro para a voltarem a comprar. Mas se quiserem continuar a serem escravos do banqueiro e ainda por cima apagarem pelo custo da vossa própria escravidão, deixem-nos continuar a criar dinheiro e a controlar o crédito”, Sir Josiah Stamp, Diretor do Banco de Inglaterra.

 

Sugiro, para um mais completo conhecimento, a leitura do livro do Professor Murray Rothbard, The Case Against the FED.

Engrenagem dos Mundos

 “Enquanto os homens se ocupavam nos seus afazeres quotidianos, eram escrutinados e estudados, quase do mesmo modo tão cuidadoso como um homem com um microscópio poderia escrutinar as criaturas transitórias que nadam e se multiplicam numa gota de água”, H. G. Wells, A Guerra dos Mundos.

Todas essas derivações, adaptações e dramatizações, quer radiofónicas, cinematográficas e televisivas, inseriam-se dentro do velho esquema maniqueísta da luta do Bem contra o Mal, do Mal como força sobrenatural.

Se não houvesse livre arbítrio, Adão não teria escolhido comer a maçã.

O mal não existe, e se existe também não tem qualquer importância.

 

Senhoras e Senhores, interrompemos o nosso programa para lhes dar a conhecer um boletim especial da Agência Intercontinental das Radio-notícias: às sete horas e quarenta, o professor Farrel, do Observatório de Chicago, informou que tinha observado várias explosões incandescentes no planeta Marte, cujas frequências se vêm sucedendo a intervalos regulares.” Esta foi a notícia que levou a rede de rádio da CBS a interromper a sua programação normal a 30 de outubro de 1938, na preparação que se lhe seguiria do relato de uma invasão alienígena, que não passava de uma encenação concebida por Orson Welles, e que levou a um pânico generalizado: calcula-se que pelo menos 1,2 milhões de pessoas acreditaram que tal invasão estava a acontecer, instalando-se o caos em várias cidades.

A dramatização radiofónica de Orson Welles baseava-se na obra de Herbert George Wells, A Guerra dos Mundos, publicada em capítulos em 1897 no Reino Unido, pela revista Pearson, lançada em livro no ano seguinte. A partir daí, vários foram os filmes e séries de televisão que exploraram o tema, tendo mesmo em 1953 e em 2005 aparecido filmes com o mesmo título do livro, “A Guerra dos Mundos”.

O tema tratado era invariavelmente sempre o mesmo: a invasão da Terra por marcianos, ou seres de outros mundos, aparentemente indestrutíveis e dotados de armas de destruição massiva, que originavam fugas desordenadas, atos de heroísmo desesperado, quebra dos valores convencionais e da rotina social, refúgio na oração ou na orgia, etc.

Todas essas derivações, adaptações e dramatizações, quer radiofónicas, cinematográficas e televisivas, inseriam-se dentro do velho esquema maniqueísta da luta do Bem contra o Mal, do Mal como força sobrenatural. Breve: luta dos bons contra os maus. Neste caso os maus eram evidentemente os invasores vindos do espaço.

Segundo a tradição de origem judaico-cristã, o Bem não se explica na medida em que o bom e a bondade são atributos inerentes a Deus, por Ele ser amor infinito, misericórdia sem limites. O homem busca o bem, converte-o em finalidade da sua vida, sem necessidade de lhe dar uma explicação. O bem era a essência de tudo o que imperava no momento da criação. Pelo contrário, o mal tinha de ser explicado, pois constituía uma anomalia. Ao passo que em algumas religiões orientais o universo é dual, em que o mal aparece com o mesmo estatuto do bem, o que origina uma luta constante entre o mal e o bem, para o pensamento cristão o mal é uma aberração, incompatível com Deus.

Para explicar o mal existente, o pensamento judaico-cristão vai ter de lidar com o mal como pecado proveniente de atos individuais e como possibilidade de uma origem exterior. Se o mal fosse unicamente produto do pecado, se Adão e Eva tivessem criado o mal por si mesmos, então a relação entre um Deus de bondade e a raça humana seria incompreensível. Torna-se necessário recorrer a um agente exterior, a serpente, que é a que induz o ser humano a pecar, atraindo-o ao mal.

O que põe outro problema: para a criação humana ter sido perfeita, Deus concedeu-lhe o livre arbítrio. Se não houvesse livre arbítrio, Adão não teria escolhido comer a maçã. Donde, será o livre arbítrio a causa do mal? E sendo o livre arbítrio um presente de Deus, será Deus a causa do mal? É aqui que convenientemente aparece Satanás como representação ontológica do mal. Deus também lhe tinha concedido o livre arbítrio, só que voluntariamente e conscientemente Satanás volta-lhe as costas. O que não aconteceu com o homem, que apenas peca por engano.

Perante tudo isto que parece ser um paradoxo da lógica, a serpente do Genesis deixa de ser metafórica para se converter numa força com entidade própria que se tem encarregado desde esses tempos até agora de tentar a humanidade. Passa a uma entidade viva, consciente, poderosa e imortal: o Mal.

É este mito fundador do mal como força sobrenatural e autónoma que está presente em quase todas as histórias de terror. Excomungado há milhares de anos, a sua presença tem-se mantido constante, nem que mais não fosse através dos seus vulgarizados e aclamados sucessos em espetáculos onde se vende (e se compra) a noção da ‘eterna’ e igual luta com o Bem.

Que tem isto a ver com o programa radiofónico de Orson Welles, com as muitas e variadas séries de televisão e filmes sobre invasões vindas do espaço? Pois tudo.

Que tem a ver isto com A Guerra dos Mundos de H. G. Wells? Quase nada.

Reparemos o que começa por escrever Wells no início da sua obra:

 

Ninguém teria acreditado, nos últimos anos do século XIX, que este mundo estava a ser observado de muito perto e com atenção por inteligências maiores que as do ser humano e igualmente mortais; que enquanto os homens se ocupavam nos seus afazeres quotidianos, eram escrutinados e estudados, quase do mesmo modo tão cuidadoso como um homem com um microscópio poderia escrutinar as criaturas transitórias que nadam e se multiplicam numa gota de água. Com infinita complacência, os seres humanos iam e vinham sobre este globo, concentrados nos seus assuntos, tranquilos por causa do seu seguro império sobre a matéria. É possível que os micróbios que estão debaixo do microscópio se comportem de igual modo. Ninguém dedicou um pensamento aos mundos mais velhos do espaço como possíveis fontes de perigo para a raça humana, ou se pensaram neles foi somente para descartar a ideia de vida na sua superfície como impossível ou improvável. É curioso recordar alguns dos hábitos mentais de aqueles dias passados. Como muito, os terrícolas suponham que poderia haver outros homens em Marte, talvez inferiores a eles mesmos e preparados para dar a bem-vinda a uma expedição missionária. E, contudo, do outro lado do golfo do espaço, umas mentes que estão para as nossas mentes o que as nossas estão para as das bestas, uns intelectos vastos, frios e indiferentes, observam a Terra com olhos invejosos e começam a traçar planos contra nós.

 

Da mesma forma que os humanos procedem às suas colheitas, caçam e pescam sem repararem minimamente nas destruições que provocam nos animais (nos quais se incluem os homens) e seus lugares de habitação, também os marcianos não sentem qualquer contemplação para com os humanos, não os considerando sequer como criaturas que mereçam qualquer compaixão ou piedade. Quando os marcianos nos atacam não o fazem como agentes do mal, mas utilizando a mesma lógica com que um peixe grande come um peixe pequeno.

A natureza aparece como um mero mecanismo frio, desprovido de quaisquer sentimentos ou emoções. Se uma espécie se extinguir, pois extingue-se. O universo não se irá lamentar por essa extinção, mesmo que seja a da raça humana. Não se trata aqui de uma luta do bem contra o mal, mas antes do pouco significado e da impotência que o ser humano tem perante a engrenagem cósmica. Para os marcianos, a raça humana não passa de um incómodo: os homens são criaturas insignificantes que ocupam um lugar que lhes devia de pertencer por direito. Tirando isso, são-lhes completamente indiferentes. A tal ponto são os humanos impotentes que até a invasão é derrotada por uma outra força sem qualquer carga moral: os micróbios.

O universo aparece como um enorme espaço inconcebível, que não nos reserva qualquer tratamento de exceção. Não se trata já de mal. O mal não existe, e se existe também não tem qualquer importância.

Delirante Brasil?

“O Brasil é o país de amanhã. Mas amanhã é feriado”, provérbio carioca.

Se às escutas permanentemente feitas pela NSA às grandes companhias brasileiras juntarmos as normas de atuação previstas no manual GNC, não causará surpresa o aparecimento da operação “Lava jato” e da escolha de S. Paulo para epicentro das movimentações.

O Brasil é o país de amanhã. Mas amanhã não será dos brasileiros”.

 

Quando em 2013 Edward Snowden divulgou documentos que demonstravam à saciedade e à sociedade que as escutas feitas pela NSA não incidiam só sobre quase todos os cidadãos americanos, mas que também envolviam países ‘amigos’, as plataformas noticiosas preocuparam-se em divulgar os Chefes de Estado e governos escutados, perante uma indignação controlada pela chamada de embaixadores que prontamente tudo resolveu com uma mudança diária de telemóveis.

O problema escamoteado é que as escutas se estendiam prioritariamente a todo o tecido empresarial, incindindo particularmente sobre as grandes empresas. Por exemplo, no Brasil, empresas como a Petrobras e a Odebrecht foram consideradas como sendo alvos principais. Tudo isto levou o governo de Dilma Rousseff a decretar que todas as companhias estatais deveriam passar a usar para os seus serviços tecnológicos apenas empresas do estado, o que fez com que, só no espaço de dois anos, as companhias americanas perdessem cerca de 35 biliões de dólares, segundo o que publicou o grupo de pesquisa da Technology & Innovation Foundation.

Factos como o da possibilidade de um país como o Brasil poder construir um submarino nuclear, como a Odebrecht se ter guindado a empresa de construção a nível mundial, e como a Petrobras ter conseguido desenvolver tecnologia capaz de explorar depósitos pré-salinos, o que foi em si a maior descoberta sobre petróleo no século XXI, excluindo do processo todas as “Big Oil” americanas, levaram a que o Brasil passasse a ser considerado como nação “hostil”, se bem interpretarmos o Manual de das Forças Especiais de Guerra Não-Convencional de Novembro de 2010 (http://www.al-akhbar.com/sites/default/files/pdfs/Special_Forces_Report.pdf).

Segundo o Manual, a finalidade dessas Forças Especiais é a de “explorar as vulnerabilidades políticas, militares, económicas e psicológicas de uma potência hostil, através do desenvolvimento e sustentação de forças de resistência por forma a conseguirem concretizar os objetivos estratégicos dos EUA (…) No futuro próximo, as forças dos EUA empenhar-se-ão predominantemente em operações irregulares de guerra não-convencional.

Para ser considerado “hostil” não se torna necessário que um estado se envolva em ações ou ameaças militares para com Washington: basta que esse estado ouse desafiar qualquer aspeto do domínio global da ordem americana. Foi isso que os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul) fizeram quando forçaram que as trocas e o comércio entre eles fossem feitos nas suas próprias divisas, pondo de lado o dólar; quando criaram o seu próprio banco de desenvolvimento; quando desejaram uma maior integração com a Eurásia, simbolizada na convergência da China com a Rússia na constituição da União Económica da Eurásia e da ‘rota da seda’.

Segundo o referido manual, as características a ter em conta e a desenvolver num movimento de resistência são “a vontade de cooperar com os Estados Unidos”, a existência de “objetivos e ideologia compatíveis” e “capacidade de liderança”. Para se alcançarem objetivos e ideologia compatíveis, utilizam-se “técnicas e mensagens enfatizando o que os diversos grupos poderão ter em comum. Uma vez unidos, novas mensagens serão necessárias para aumentar a moral, reforçar a coesão organizativa, enfatizando os objetivos mútuos.” Torna-se ainda essencial para o sucesso da operação, a existência de uma grande “população média descomprometida”, pois será essa população que poderá vir a ser usada contra os seus líderes políticos. O processo a utilizar poderá ir desde o “apoio à rebelião” (Síria) até à criação de “grande descontentamento através de ações de propaganda, ações políticas e psicológicas, com vista a desacreditar o governo” (Brasil). E à medida que a insurreição aumentar, o mesmo se verificará com a “intensificação da propaganda e da preparação psicológica da população para a rebelião”.

Se às escutas permanentemente feitas pela NSA às grandes companhias brasileiras juntarmos as normas de atuação previstas no manual GNC, não causará surpresa o aparecimento da operação “Lava jato” e da escolha de S. Paulo para epicentro das movimentações.

A existência das escutas sistemáticas e prolongadas no tempo, são o elemento essencial para o desenvolver de um plano de atuação. Sem essas escutas, dificilmente se pode entender como é que um juiz regional, Sérgio Moro, com base numa denúncia de um corretor de divisas a operar no mercado paralelo, teve acesso à enorme documentação da Petrobras. Como é que todos esses documentos sobre uma “célula criminosa” a atuar dentro da Petrobras chegaram à posse do juiz?

O estado de S. Paulo é escolhido para epicentro da operação por ser o mais rico do Brasil, capital económica e financeira da América Latina, integralmente ligada à estrutura de poder nacional e internacional. Basicamente trata-se de mobilizar algumas das famílias ricas que atualmente mandam no país, comprar grande parte do Congresso já comprado, controlar os media mais importantes e legitimar uma tradição intelectual antiga, numa cruzada contra a corrupção e pela defesa da democracia. Isso seria o sinal para a mobilização da classe média.

Pululam vários “movimentos” financiados pelos inefáveis Koch Brothers, que invadem as redes sociais e os protestos de rua. Como é o caso do Movimento Brasil Livre de Kim Kataguiri, filiado na organização estrangeira Students for Liberty, e que pensa indicar cerca de 200 candidatos para as eleições, aliando-se a todos os partidos exceto o PT. Eis algumas das medidas defendidas: privatizações em massa, diminuição drástica de ministérios, cortes nos gastos públicos com programas sociais.

Mas mesmo assim necessitam ainda de uma figura a quem possam diabolizar, atribuírem todos os males: nada melhor que a figura do ex-Presidente Lula. Concretizada que seja a destituição de Dilma pelo imensamente corruto Congresso, aparecerá com muito maior nitidez o único objetivo: acabar com as leis que não permitem a exploração de petróleo pelas Big Oil americanas e acessoriamente com os gastos em programas sociais.

A editora Estúdios Cor publicou em 1965 um livro de Pierre Rondiere intitulado Delirante Brasil? que começava com a citação de um provérbio brasileiro:

“O Brasil é o país de amanhã. Mas amanhã é feriado”.

Estou quase certo que hoje Rondiere escolheria outra citação:

O Brasil é o país de amanhã. Mas amanhã não será dos brasileiros”.

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