Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Os Tempos em que Vivemos

Um olhar, uma tentativa de compreensão sobre algumas coisas que são vida.

Os Tempos em que Vivemos

Um olhar, uma tentativa de compreensão sobre algumas coisas que são vida.

A rãzinha e a andorinha

Fábula dos anos passados e dos que se lhe seguirão.

 

Conta-se que no fundo de um poço muito escuro e húmido vivia uma rãzinha que juntamento com outras passava o dia inteiro a trabalhar procurando afanosamente insetos e larvas, e a carrear do lodo materiais de construção  que teria de entregar ao conselho das rãs, que era quem distribuía as tarefas e administrava tudo o que se passava no poço muito escuro e húmido.


Um dia sentiu uma briza perto de si e deparou-se com algo no ar que olhava para ela. Aflita, tentou esconder-se tapando o rosto. Espantada verificou que aquela coisa começara a falar com ela. “Não tenhas medo. Eu sou uma andorinha”. Ao ver que a rãzinha dava grandes saltos perguntou-lhe: “Porque é que passas a vida aqui no fundo deste poço tão escuro e húmido?”
“E vou para onde?” A andorinha apontou para o cimo, para a abertura do poço, e disse-lhe: “Porque é que não vais lá para fora, onde há muita luz, muito espaço para saltares, com muitas possibilidades para procurares comida e para poderes comer o que quiseres, para poderes construíres a tua própria casa, enfim, para fazeres o que quiseres?”
“Mas eu não sei fazer mais nada, só sei fazer o que me mandam, e sempre foi assim, e sempre será assim”.


A andorinha foi-se embora, mas passou a voltar todos os dias ao fundo do poço escuro e húmido, tentando convencer a rãzinha a abandonar aquele local, encorajando-a a ver o céu azul e claro que se mostrava qual claraboia sobre o fundo do poço. Mas a rãzinha só punha problemas, desde o que iria fazer, como encontraria outras rãzinhas, se não acabaria comida por outros, quem a protegeria, e acima de tudo, como é que iria atá lá cima.
Finalmente a andorinha conseguiu convencer a rãzinha a abandonar o poço muito escuro e húmido. Combinaram o dia e a hora e como seria a fuga. Era suposto a andorinha parar por um momento no fundo do poço o tempo suficiente para que a rãzinha saltasse para cima dela, saindo depois as duas a voarem em direção ao céu prometido.


Só que a rãzinha não conseguiu conter-se e contou o que se iria passar e como é que iria ser feito. Quando no dia seguinte a andorinha voltou  e conforme o combinado parou no fundo do poço escuro e húmido onde já se encontrava a rãzinha, foi apanhada com redes previamente mandadas montar pelo conselho das rãzinhas, foi aprisionada, amarrada a um poste e imediatamente morta pelos guardiões.


Na reunião seguinte, na assembleia das rãzinhas foi decidido pelo conselho das rãzinhas construir uma estátua da andorinha amarrada ao poste, passando a ser  obrigatório, a partir daquela altura, em todas as reuniões dominicais, venerar e celebrar a andorinha como sinal de conforto enviado pelo Além, garantia que a sociedade das rãzinhas se encontrava no bom caminho.

 

Esta é uma pequena fábula dos anos passados e dos que se lhe seguirão. Bom Ano.

 

Nem como Zômbis nos safamos

É vital para os EUA e seus Aliados terem uma população que não seja composta por Zômbis ou que não esteja debaixo da sua influência”, CONPLAN 8888-11 (U).
PREPARE-SE! Abasteça-se já para o Apocalipse Zombi comprando as munições Zombie Max da Hornady! Com as balas PROVEN Z –Max a morte passa a ser permanente”, anúncio da Hornady.
Não é pois de admirar que aos olhos das autoridades qualquer cidadão comum apareça como terrorista”.

 

Sempre encarei como diversão de miúdos o ‘culto’ que se tem vindo a estender sobre os Zômbis e ‘mortos-vivos’, um aproveitamento de instintos muito básicos como forma de se ganhar dinheiro, preenchimento de espaços livres em cadeias (que termo bem aplicado) de espetáculos, ou como ‘moda’ que acabaria por passar.


Só que deparei com um documento do Departamento de Defesa dos EUA, abreviadamente intitulado CONPLAN 8888-11 (U) “Counter-Zombie Dominance”, onde é gizado um plano de contingência para ser usado como base para o planeamento de uma Ação de Crise motivada por ameaças de Zômbis à segurança dos humanos.Na situação político-militar, os Zômbis são definidos como “horrivelmente perigosos para toda a vida humana, tendo as suas infeções o potencial para por em risco a segurança nacional e as atividades económicas que sustentam o nosso modo de vida. Consequentemente é vital para os EUA e seus Aliados terem uma população que não seja composta por Zômbis ou que não esteja debaixo da sua influência”.


Procede depois à classificação dos vários tipos de Zômbis (patogénicos, de radiação, vindos do espaço, de origem vegetal, de galináceos, etc.) e às formas de combate-los. Conclui especificando que “a única forma que as forças táticas têm para efetivamente provocar danos mortais entre os Zômbis é com a utilização de disparos de balas apontadas à cabeça, especificamente ao cérebro. O cérebro humano continua a funcionar quando em estado de Zombi […] A única forma de nos assegurarmos que o Zombi está ‘morto’ é queimando o seu corpo”.
Chama ainda a atenção para a segurança da infraestrutura médica avisando que a interação com Zômbis poderá criar fatalidades entre os humanos, dependendo da fonte de zombismo. “Nos casos em que o zombismo se manifestar lentamente, os humanos poderão procurar cuidados médicos nos hospitais e clínicas locais. Só que esses locais acabarão eles próprios por serem fontes de zombismo, o que tornará inúteis os hospitais, causando inclusivamente casualidades irreparáveis entre o corpo clínico e outros membros. Adicionalmente, os Zômbis mutantes nos hospitais acabarão por impedir o aceso dos humanos aos cuidados médicos necessários para a sua sobrevivência”. Conclusão: guerra sem quartel aos Zômbis.


Existem já firmas a comercializarem armas e munições especiais para matar Zômbis. A Hornady Manufacturing Company é uma delas e tem publicado um anúncio onde se pode ler:
PREPARE-SE! Abasteça-se já para o Apocalipse Zombi comprando as munições Zombie Max da Hornady! Com as balas PROVEN Z –Max a morte passa a ser permanente.


Mas, se não há Zômbis, para que serve o plano? Ou será que há Zômbis?

 

O medicamento mais vendido nos EUA não é nem o Viagra, nem o Prozac nem o Percocet. É o Abilify, um antipsicótico. Nos EUA para que um medicamento venha a ser ‘top seller’ tem de ser caro e amplamente usado. O que é o caso do Abilify: “É o décimo quarto nome de medicamento mais receitado, ao preço de $30 por comprimido. As vendas anuais são superiores a $7 biliões, um bilião a mais do que o medicamento que se lhe segue.
Para além das críticas e dúvidas de grande parte do corpo clínico sobre a efetividade da utilização de drogas psiquiátricas com a finalidade de corrigir desequilíbrios químicos, há aqui outros problemas que devem ser considerados.
Embora a administração de uma droga tão poderosa como o Abilify “possa fazer sentido para aquilo que é o seu uso primeiro (os anti psicóticos como o aripiprazole são administrados para pessoas seriamente doentes, como por exemplo com esquizofrenia), não se entende como é que sendo o Abilify um primo da Thorazine consiga ser a droga mais lucrativa da América”.
Os possíveis efeitos colaterais previstos na bula vão desde “movimentos incontroláveis do rosto, língua, e outras partes do corpo, que poderão fazer parte de uma condição séria de uma condição conhecida como ‘tardive dyskinesia’ (TD). A TD pode não passar, mesmo se deixar de tomar ABILIFY. A TD pode voltar de novo mesmo depois de deixar de tomar ABILIFY”, até à possibilidade do aparecimento de “febres altas, rigidez de músculos, confusão, suores, alterações de pulsação, batimentos cardíacos e pressão sanguínea, que podem levar a uma condição chamada de ‘neuroleptic malignant syndrome’ (NMS), uma doença rara que pode levar à morte”.


Na busca desesperada da tranquilidade e paz através de uma embalagem de comprimidos, não se olha a custos e a riscos. Todos os dias, só nos EUA, 7.000 pessoas são tratadas nos serviços de urgência por sobredosagem de analgésicos, ou seja, perto de dois milhões por ano. Dessas, morrem44 por dia. E o problema é que “as doenças mentais na América não mostram sinais de abrandar […] Devíamos esperar que o número dos doentes com incapacidade mental, numa base per-capita, tivesse diminuído nos últimos cinquenta anos, em vez disso, à medida que a revolução da psicofarmacologia se foi desenvolvendo, o número de pessoas incapacitadas mentalmente foi aumentando espetacularmente”.


Os anti psicóticos estão a ser largamente utilizados para ‘resolver’ problemas que vão desde a esquizofrenia até à simples insónia, passando perigosamente também a serem receitados às crianças (83.000 receitas de Prozac e 20.000 de Risperdal a crianças de menos de 2 anos) na tentativa de resolução de problemas relacionados com as desordens hiperativas de défice de atenção e outros.
No que diz respeito ao Abilify, a Food and Drug Administration (FDA) diz-nos que não faz a mínima ideia porque é que ele é efetivo. Segundo o que consta no rótulo de cada embalagem “O mecanismo de ação do aripiprazole … é desconhecido. Contudo, a eficácia do aripiprazole pode ser mediada através de uma combinação parcial da atividade dos recetores D2 e 5-HT1A e … etc, etc.”
Ou seja, milhões de americanos tomam uma droga anti psicótica que nem mesmo a comunidade científica sabe como é que ela produz efeitos.
Se isto não constitui a maior prova de insanidade de uma população anda lá perto.

Como cortesia da multibilionária indústria farmacêutica, a população americana está a transformar-se numa população de Zômbis andantes e quimicamente drogados. Não é caso para o Pentágono se preocupar?


Mesmo que tal preocupação nos seja apresentada como um simples exercício teórico, só existir essa preocupação por parte do Pentágono é mais que suficiente para amedrontar esta sociedade que é de si talvez a mais dócil e cobarde das que têm existido.
Estamos perante uma sociedade que permitiu e legislou autorizando que lhe fossem impostos todos os controles de dados biométricos que foram inventados no século XIX e na altura somente usados para a identificação dos criminosos reincidentes, permitiu e autorizou a transformação dos espaços públicos das cidades em interiores de uma imensa prisão através da vigilância de vídeo câmaras. A vida e as opções de cada um fazem parte de um sem número de ficheiros a que as autoridades têm acesso. Não é pois de admirar que aos olhos dessas mesmas autoridades qualquer cidadão comum apareça como terrorista.

Bom Natal.

 

 

O fim do Tempo inglês

No ano 2100 a hora inglesa terá uma diferença de três minutos relativamente à dos outros países.
O que é o tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei; se o quero explicar a quem me pergunta, não sei”, Santo Agostinho.
Afrodite, deusa do desejo da união entre o diferente. Até hoje.
Cada dia, cada instante é a porta pequena pela qual entra o Messias”, Walter Benjamin.

 

O rápido desenvolvimento dos meios de transporte e das comunicações originaram grandes confusões com os horários e tempos de espera, instalando o caos nas transações e levando a enormes perdas para as empresas. Tudo isso porque não havia um referencial único a partir do qual se pudesse entrar em consideração com os tempos de percurso. Para resolver tal situação resolveu-se em 1884 promover em Washington, Columbia, EUA, uma Conferência Internacional do Meridiano, onde se decidiu tomar como base para a contagem do tempo, a hora do meridiano que passava por Greenwich, Inglaterra, passando esse tempo a ser conhecido como Tempo Médio de Greenwich (GMT) ou Tempo Universal (UT).

E assim fomos cientificamente vivendo até que devido à introdução dos relógios atómicos (baseados nas 9.192.631.770 oscilações por segundo do átomo de césio-133) se concluiu que a Terra, devido a variações das marés oceânicas, da calote de gelo e na dinâmica peculiar do seu núcleo, tinha tendência a travar o seu movimento de rotação. O dia solar médio atrasava-se um par de milésimas de segundo!
Com base no relógio atómico, a partir de 1967 passou a existir uma nova escala do tempo, o Tempo Atómico Internacional que acabou por dar origem ao tempo de referência mundial atualmente utilizado, o Tempo Universal Coordenado (UTC).

Só que no entretanto continuou a usar-se o Tempo Médio de Greenwich, o que obrigou que a partir de 1972 sempre que o atraso verificado na rotação da Terra fosse superior a 0,9 segundos, se deveria introduzir um segundo intercalar. A introdução desse segundo intercalar ficou à responsabilidade do diretor do Centro de Orientação da Terra do Serviço Internacional de Rotação da Terra e de Sistemas de Referência do Observatório de Paris.
Até agora já foram adicionados 26 segundos, o último dos quais ainda este ano, às23 horas, 59 minutos e 59 segundos do dia 30 de Junho. Julga-se que na próxima conferência a realizar em Genebra, se decida pela supressão definitiva destes acertos, estabelecendo em seu lugar uma escala contínua do tempo de acordo com o UTC. Se os ingleses insistirem em manter o “seu” Tempo Médio de Greenwich, o que lhes acontecerá é que  no ano 2100 a sua hora estará desfasada três minutos relativamente às horas dos outros países. Tenham isso em atenção quando lá forem.

Mas a Ciência introduziu ainda problemas adicionais quando, no início do século passado, considerou a possibilidade do tempo não ser único, dependendo da velocidade de deslocação do móvel em que nos encontrássemos, num espaço que também se deformava. Amarrado ao espaço e ao movimento, num universo que se crê multidimensional e em expansão não se sabe para onde, tudo se torna muito mais complicado de entender. Ou seja, explicados os mecanismos, continuamos na mesma sem saber o que é afinal o tempo.

 

Recuemos até à Grécia Antiga para tentarmos perceber como seria encarado este problema do tempo. Vamos encontrar essa explicação na Teogonia de Hesíodo, onde ele nos conta como para os gregos o mundo se iniciou, o mito cosmogónico helénico.

Tudo começara com o Caos, uma forma sem forma, espaço absoluto que tudo contém mas numa tal confusão e desordem que se tornava impossível discernir o que quer que fosse. O simples facto da consideração da sua existência é muito importante pois é esse simples facto que contraria o nada absoluto. Sem o Caos era o Nada. Daí que tudo seja proveniente do Caos.
Embora fosse chamado de Caos, tal não significa qualquer distinção sexual. Não que fosse ‘amorfo’, porquanto nele existia um ‘impulso’, Eros, para que deixasse de reinar a confusão. É este impulso que vai fazer surgir a partir do Caos a primeira forma real distinta: a Terra ou Gaia. Estamos aqui a assistir ao aparecimento da necessidade de uma qualquer ordem e portanto da possibilidade de um sentido, ou seja, ao aparecimento de uma forma própria de racionalidade, de um ‘logos’.


A criação de outras formas posteriores diferenciadas que dariam origem ao cosmos será feita pela ‘caminhada’ de Eros sobre a Terra, da Terra como Mãe universal. Este ‘impulso’ de Eros sobre a Terra vai gerar Ouranos (o céu) e Pontos (a água que vai preencher todos os lugares vazios da Terra). Ao passo que Pontos ficará sempre íntimo da Terra penetrando-a simbioticamente, o Céu, na medida em que por cima dele não há nada, só se conseguirá expandir para o interior da própria Terra.
E assim o faz. Dessa ‘penetração’ da Terra vão originar-se novas entidades, nomeadamente doze irmãos, os Titãs e as Titânides (Oceano, Cós, Hiperíon, Crio, Jápeto, Cronos e Tétis, Febe, Tia, Euríbia, Ásia, Reia). O mais velho é Oceano e o mais novo é Cronos, o tempo.


Como entre o Céu e a Terra não havia qualquer separação pois o Céu cobria totalmente a Terra, as entidades geradas estavam condenadas ao absoluto das trevas, impedidas de verem a luz do dia, e portanto condenadas a não poderem ser.
Esta prepotência do céu indignava profundamente a Terra, que vai conceber um plano para libertar as suas gerações. Fabrica uma lâmina de metal, uma foice (podemos ver aqui o início mítico de toda a indústria e cultura material, para a qual o martelo não era tão prioritário) que dá ao seu filho Cronos para que ele castre o pai, libertando assim a mãe e os irmãos.
Castrado, o Céu ruge de dor e afasta-se definitivamente da Terra, dando origem ao nascimento de um verdadeiro espaço não só físico, limitado, onde a medida toma o lugar do que era imenso, sem-medida, mas que vai propiciar a possibilidade do desenvolvimento do ser. Nasce ali o sentido do presente marcado pelas gerações de cuja combinação se originaram as presentes, e o sentido do futuro marcado pela possibilidade combinatória das gerações atuais. Uma ordem de movimento que o tempo mede. “A castração do Céu abre o espaço, desbloqueia o tempo”.


Apesar de as nossas mentes científicas e apressadas de agora não se aperceberem da profunda validade estritamente humana desta conceção, ela continua a estar muito presente na nossa sociedade. Se atentarmos bem, ela prevê por exemplo que o princípio de tudo fosse por partenogénese (Caos, Eros, Terra), só depois impondo a filiação como paradigma (Eros, Terra); é nela que aparece a metáfora do “dar à luz”, “ver a luz do dia”; e é ainda nela que aparece a luz como fonte do conhecimento essencial para a afirmação do ser. E se continuássemos a ler o mito, acabaríamos por assistir ao episódio do nascimento de Afrodite: quando Cronos castra o Céu, atira o membro castrado para o mar, e da mistura entre o sémen do Céu e da água do mar vai nascer Afrodite. Por isso ela é a deusa do desejo da união entre o diferente. Até hoje.

 

Vai ser Aristóteles o primeiro a considerar o tempo como uma propriedade da natureza. Na sua Física, vai defini-lo como a medida do movimento entre um antes e um depois. E vai também ser o primeiro a distinguir a separação do tempo entre o tempo da alma e o tempo da natureza, entre o tempo do homem e o tempo do mundo.
Uma vez que o tempo aparecia expresso por um número, como poderia Aristóteles conciliar a existência destes dois tempos? É exatamente por ser um número que ele só poderá existir na alma, uma vez que os números só poderão ter uma realidade inteligível ou mental na alma. Só portanto o homem enquanto dotado de alma poderá pensar e representar o tempo. O que não impede que o tempo seja uma realidade objetiva. Estava feito o truque.

 

Até aqui todos estes tempos pressupõem sempre um deslocamento retilíneo para a frente, no sentido de qualquer coisa que lá se venha ou não a encontrar ou estar. De certa forma constitui já um avanço sobre o tempo encarado como cíclico, de um constante regresso ao início, o tempo das estações do ano, o tempo do que nasce, cresce e fenece, seja o humano, sejam as suas instituições.

Não é pois de estranhar que o tempo cristão nos apareça também como um tempo retilíneo, com uma progressão que vai do aparecimento de Cristo até ao apocalipse final. Mas será mesmo assim?


Para grande parte dos seus seguidores, a morte de Cristo e o dia do seu regresso para o juízo final e instauração do seu reino na Terra, foi sempre entendido como um tempo cronológico durante o qual eles aguardavam como eminente a vinda do Messias e o fim dos tempos. Para os seus seguidores foi sempre intolerável o Messias não se ter imposto como rei universal dos tempos do fim, mas ter saído como criminoso lastimosamente executado. Tal só poderia ser amenizado graças ao anúncio de um próximo regresso do Senhor na sua majestade, visível para todos, libertadora para os crentes, tremenda para os adversários.
É por isto que no começo do pensamento histórico cristão encontra-se a transformação do tempo do mundo num tempo de espera, naquele pequeno tempo de espera entre a crucificação e o reaparecimento do Messias.
A primeira geração de cristãos morreu com a pergunta: como se pode entender que Cristo não apareça? A geração seguinte teve de aprender a contar com espaços de tempo maiores e a transferir a parusia para o tempo dos netos e bisnetos. Tornava-se então premente saber se mesmo os cristãos não se deviam meter nos negócios deste mundo. Há medida que o tempo foi passando e o Messias se ia ‘atrasando’, os que assim esperavam foram-se instalando numa organização institucional e juridicamente estável, idêntica a qualquer outra instituição mundana. Com consequências.


Ciente dessa situação, Clemente inicia a sua epístola aos coríntios com a frase: “Da Igreja de Deus que se hospeda em Roma à Igreja de Deus que se hospeda em Corinto”. Não é por acaso que utiliza o termo “que se hospeda”. Como faz notar Agamben, “que se hospeda” (do grego paroikoûsa) significa que essa é uma morada provisória do exilado, do colono ou do estrangeiro, e é exatamente essa a morada do cristianismo no mundo. O termo “hospedagem” nada tem a ver com a sua duração cronológica.
A hospedagem da Igreja na terra pode durar séculos, milénios, sem que isso altere a natureza particular da sua experiência messiânica do tempo. E isto porque o tempo do Messias nada tem a ver com a duração cronológica, uma vez que ele é sobretudo, uma transformação qualitativa do tempo vivido.
Todos aqueles que se instalem, aguardando pela chegada do fim do tempo, perderam a experiência messiânica do tempo que a define e lhe é consubstancial. O importante não é o fim do tempo mas o tempo do fim, o tempo que se contrai e começa a terminar no qual viver as coisa últimas significa viver de outra maneira as coisas penúltimas.
Deve ser este o verdadeiro tempo do cristianismo, “o tempo da parroquia” (“ho khrónos tês paroikias” segundo Pedro, 1 Pt 1, 17), tão diferente do tempo linear e cronológico vulgarmente assumido. Não deixa pois de ter razão Aristóteles ao fazer-nos notar a dualidade ou as polaridades com que o tempo se nos apresenta. Continuamos no entanto sem saber o que é o tempo.

Daí que, apesar de sabermos que o que Santo Agostinho pretendia era realçar a subjetividade do tempo, porquanto a sua preocupação era a tentativa de estabelecer a articulação do tempo com a eternidade para conseguir encontrar respostas para questões que se punha, como por exemplo, o que é que Deus fazia antes da criação, ou se já então haveria tempo, a sua interrogação permanecer ainda hoje viva:
O que é o tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei; se o quero explicar a quem me pergunta, não sei”.

Costuras que não se querem visíveis

Folhas de coca para saciar a fome, dar novas forças aos fatigados e esgotados, e fazer com que os infelizes se esqueçam dos seus pesares”, Inca Garcilasso de la Vega.
Apenas uma empresa em todo o mundo tem o privilégio do comércio de coca para os Estados Unidos”.
Paradoxo: Os EUA gastam milhares de milhões de dólares no combate à erradicação de um ingrediente que é essencial para a fabricação do produto bandeira do seu american way of life, a Coca-Cola.

 

Em 1545, os espanhóis descobriram em Cerro Rico de Potosi, numa montanha do Peru a quatro mil metros de altitude, a maior mina de prata do mundo. A mão-de-obra para a sua exploração intensiva só poderia ser fornecida pelos indígenas, que necessitavam de folhas de coca para “saciar a fome, dar novas forças aos fatigados e esgotados, e fazer com que os infelizes se esqueçam dos seus pesares”. Culturalmente a folha de coca era usada quer na vida diária e relacional dos Incas quer em ritos de oferendas aos deuses, o que levou a Igreja a querer proibir o seu uso para assim os afastar dos costumes pagãos. Mas a partir da descoberta da prata, muita prata, os espanhóis vêem-se “obrigados” a serem os principais promotores do cultivo da coca, muita coca, no Peru.


Tendo sido o século XVI uma época pródiga na descoberta de novas substâncias estimulantes (tabaco, cacau, coca, café, chá), por que razão a coca não terá sido adotada na Europa como as outras? Provavelmente porque durante o transporte, a folha de coca apodrecia rapidamente, perdendo as suas propriedades estimulantes, e ainda porque a planta não se conseguia adaptar e ser cultivada na Europa.


Trezentos anos depois e eis-nos no científico século XIX. Sucederam-se as expedições puramente académicas enviadas pelos países europeus a todo o mundo. Redescobertas as propriedades da folha de coca, enviadas para a Europa em percursos muito mais rápidos, mas mesmo assim possivelmente nada se passaria não fosse um ajudante de farmácia com olho para o negócio, Angelo Mariani, as ter macerado com um vinho de Bordéus. Surgia o Vinho Mariani, que se iria converter na bebida de maior sucesso da época (um equivalente à Coca-Cola, mais ‘vitaminado’).


Três papas, dezasseis reis e rainhas, seis presidentes da República Francesa, celebridades como Thomas Edison, Sarah Bernhardt, H. G. Wells, Emile Zola, Júlio Verne, encontravam-se entre os seus clientes favoritos. O papa Leão XIII trazia sempre consigo um frasco de Vinho Mariani, conforme figurava em anúncios da época. Este vinho de coca era utilizado como uma cura para todas as maleitas e acabou por originar imensos sucedâneos. Entre eles, o que teve mais êxito foi uma bebida fabricada em Atlanta, onde por ser proibido o álcool se utilizou em sua substituição água carbonatada, adicionando ainda a cola africana à coca.


Em 1859 a companhia farmacêutica Merck consegue isolar a cocaína, produto proveniente da coca. A cocaína só começa a ter alguma notoriedade vinte e cinco anos depois quando em 1884 Sigmund Freud publica uma monografia sobre os seus efeitos terapêuticos. Indicava-a especialmente para o tratamento dos casos de desintoxicação de álcool e de morfina. É Carl Koller que vai descobrir a verdadeira aplicação da cocaína como anestético local na cirurgia ocular.
A partir daí, as receitas terapêuticas aumentam exponencialmente o consumo da cocaína, a droga milagrosa que retirava as dores, e começam a aparecer os primeiros casos de dependência, tanto mais que a sua utilização vai ser enormemente facilitada pela invenção da seringa hipodérmica. É que quando tomada oralmente parte dela metaboliza-se no fígado, ao passo que injetada provoca um efeito rápido e intenso propício a gerar dependência no consumidor. Surpreendentemente, durante os primeiros anos desta euforia, ninguém reparou no problema da dependência.


De repente, a cocaína tornou-se num dos mais lucrativos negócios da indústria farmacêutica. A Merck que em 1883 vendia cerca de um quilo de cocaína passou para tonelada e meia em 1884 e para as setenta e duas toneladas em 1886. A Parke-Davis americana juntou-se ao mercado, ocupando quase todas as zonas de cultivo dos Andes. Como na época, primeiras décadas do século XX, quase todo o mundo pertencia à Europa, a procura de terras de cultivo estendeu-se das ilhas de Java à Nigéria, do Sri Lanka a Taiwán e Iwo Jima.


Talvez como consequência das devastações físicas, morais e psicológicas causadas pela Primeira Guerra, as sociedades (as que importavam) são ‘assaltadas’ pelo alcoolismo, delinquência, corrupção, violência doméstica e outros males coletivos, o que vai levar ao aparecimento nos países de maioria protestante de uma ‘cruzada’ que pretendia resolver esses problemas através da proibição do álcool, cocaína, heroína e marijuana. A partir da Segunda Guerra, com o aumento da influência dos Estados Unidos, começou a pensar-se na ilegalização total das drogas, o que levou em 1961 à assinatura de uma Convenção Única nesse sentido.
Apesar de nessa altura, 1961, o tráfico de cocaína não representar um perigo maior, a proibição recaiu não só sobre a cocaína mas também sobre as folhas de coca. O comércio internacional e o uso tradicional da folha de coca passou a ser unanimemente proibido. Com uma rigorosa exceção.
Essa exceção é a Stepan, única empresa em todo o mundo que ficou a partir de 1961 com o privilégio do comércio de coca para os Estados Unidos. Como na altura o Vinho Mariani já não passava de história antiga, tal proibição serviu apenas para impedir a concorrência à Coca-Cola. A Stepan, passou todos os anos a importar do Peru cem a duzentas toneladas de folha de coca para os seus laboratórios em New Jersey. Aí produz um extrato ‘descocaínizado’ que envia à Coca-Cola, e embora desde 1903 a cocaína não faça parte da bebida, o mesmo já não se passa com os aromas e óleos essenciais de coca.


Ou seja, os EUA gastam milhares de milhões de dólares no combate à erradicação de um ingrediente que é essencial para a fabricação do produto bandeira do seu american way of life, a Coca-Cola, o que convenhamos não deixa de ser um paradoxo.
Só que é um paradoxo estrutural, talvez mesmo estruturante, e como tal se vem sempre repetindo. É por exemplo o caso de ao mesmo tempo que gastam milhões de dólares para suprimirem o tráfico de ópio permitirem que Ahmed Wali Karzai, o conhecido da CIA e irmão do presidente do Afeganistão Hamid Karzai, faça fortunas com o mesmo tráfico de ópio. É por exemplo o caso de gastarem milhões de dólares para combaterem o EI e ao mesmo tempo permitirem as trocas de petróleo e armas que o eternizam no poder.

É a velha política de se dar com uma mão o que se tira com a outra. Aliás, se repararmos bem, primeiro tira-se, só depois é que se dá e, evidentemente, nunca exatamente o que se tira. Como é o caso dos benfeitores e suas fundações. Intencionalmente.
Costuras que não se querem visíveis.

"Avatar", cópia da realidade copiada

A única opção que os Avatares azuis têm é a de serem salvos pelos humanos ou a de serem destruídos pelos humanos
É o velho e escondido tema racista do marginal que sendo inválido na Terra está à altura de conquistar a mão da princesa local


Ainda hoje a Índia nos surge como aquele continente longínquo e afastado das nossas realidades quotidianas onde um povo pobre mas pacífico vive (ok, há aquele pequeno problema de gostarem de em grupo violarem mulheres, mas isso são tradições culturais ou são atuações da classe baixa ou são até um meio rebuscado para diminuírem a natalidade), onde os animais são respeitados e as vacas têm direito a tudo. Da mesma forma nos surge a sociedade Avatar, com os seus povos ecologicamente azuis, sempre prontos a cuidarem da natureza.
Porque terá Cameron escolhido aquela cor para representar os habitantes desse seu Éden? Não posso deixar de recordar aquela história passada na extinta União Sul Africana, nação do que tinha sido condenada pela ONU e obrigada a retirar todas as placas com os dizeres de “brancos” e “não brancos” utilizadas com a justificação para que as bichas se organizassem ordenadamente segundo o “desenvolvimento separado”. Nada de confusões nem misturas (como dizia o Almirante: “Cada macaco no seu galho”). Quando os observadores da ONU voltaram, verificaram que as pessoas continuavam a fazer bichas separadamente, desta vez em obediência a placas que, para cumprirem o mandatado pela instância internacional, não tinham já os dizeres de “brancos” e “não brancos”, tendo sido substituídos por placas com dizeres de “azuis-claros” e “azuis-escuros”.

 

Em Novembro de 2009, Arundhati Roy escreveu um extenso artigo no Outlookindia.com com o título de “Mr. Chidambaram’s War” sobre a chamada Operação Caça Verde (Operation Green Hunt), uma massiva operação militar lançada pelo governo indiano para ‘limpar’ as terras tribais de Jharkhand, Orissa, Chhattisgah e da Bengala Ocidental, com o fim de as entregar a empresas mineiras. Estas terras, que pertenciam por direito próprio aos adivasis, os cinquenta milhões de habitantes originais dessas imensas florestas e montanhas ricas em minerais, que já lá viviam muito tempo antes do aparecimento da Índia, foram vendidas a companhias mineiras e produtoras de aço (Essar, Posco, Rio Tinto, Mittals, Jindals, Tata, BHP Billiton, Vedanta) que planeavam explorar as suas imensas reservas de bauxite, ferro, uranio, dolomite, carvão, zinco, cobre, diamante, ouro, quartzo, berílio.
Contra os adivasis, cujo sustento básico era totalmente dependente da terra, que vivem em condições de subalimentação crónica, que veem a montanha como uma divindade viva, que nunca tiveram acesso à educação, saúde ou proteção da justiça, que têm sido um povo explorado, regularmente ludibriado por pequenos homens de negócios e usurários, em que a violação das suas mulheres é como que um direito dos polícias e dos funcionários da administração florestal, foram enviadas para os combater e expulsar dessas suas terras, forças militares e paramilitares (a Polícia Especial, com nomes totémicos como os Cobras, Escorpiões, Galgos, a Força de Polícia de Reserva Central, a Força de Segurança da Fronteira e o famoso Batalhão Naga) e as chamadas milícias do povo (“salwa judum”) em operações de aniquilação, incêndio e extermínio de comunidades tribais inteiras.
Objetivo governamental: retirar 85% da população e instalá-la noutros locais. Este é o plano que Mr. Chidambaram gostava de ver cumprido. É claro qua para isso a Índia teria de se converter num estado policial. O governo vai ter de se militarizar.
Para isso, o governo iria necessitar de criar um inimigo que justificasse essa militarização. A junção das forças dos adivasis com os maoistas da região (CPIM, o que restou do banido Partido Comunista da India) foi o pretexto que serviu para a criação nos meios de comunicação social da imagem demoníaca dos guerrilheiros sanguinários que, armados com as suas AK-47, passaram a constituir “a maior ameaça à segurança interna” que o país conheceu.
Descrito nos meios de comunicação como movimento de resistência ao progresso, publicaram-se numerosas histórias denunciando o “terrorismo vermelho”, relegando para lugar secundário o “terrorismo islâmico”. “Maoista” acabou por ser um termo genérico aplicado a todos os que vivendo nas florestas resistissem à desertificação, ao roubo das terras. Passou a ser a melhor desculpa que o governo podia ter para exterminar os pobres. “Qualquer criança da floresta de Dantewada sabe que a polícia trabalha para as ‘companhias’ e que a Operação Caça Verde não é uma guerra contra os Maoistas. É uma guerra contra os pobres.”

 

James Cameron no seu muito oscarizado Avatar conta-nos a história de um ex-fuzileiro inválido que é enviado da Terra para se infiltrar numa raça de seres de pele azul que vivem num planeta distante, com a missão de os persuadir a deixarem que o subsolo possa ser explorado pelo seu patrão. Estes indígenas viviam em harmonia com a natureza que, ao mesmo tempo, os imbuía de uma espiritualidade profunda. Previsivelmente, o ex-fuzileiro acaba por se apaixonar pela bela princesa aborígene juntando-se ao seu povo para a batalha final, ajudando-o a derrotar os invasores humanos e a salvar o planeta.
Dentro do mais básico esquema “politicamente correto” encontramos aqui o rapaz branco que alinha ao lado dos aborígenes ecologicamente corretos contra o “complexo militar-industrial” dos invasores imperialistas. É o velho e escondido tema racista do marginal que sendo inválido na Terra está à altura de conquistar a mão da princesa local. E temos, totalmente escamoteado pelo retrato idílico dos seres azuis, a existência das suas estruturas hierárquicas opressivas, como é demonstrado pela existência de uma princesa.
De tudo isto, a conclusão é também evidente: a única opção que os azuis têm é a de serem salvos pelos humanos ou a de serem destruídos pelos humanos. Ou desempenharem o papel que lhes atribui a fantasia do homem branco, ou serem as suas vítimas brutalizadas. Em qualquer dos casos não passam de joguetes.

 

O mesmo se passa com o povo de Orissa que vendo-se reduzido a passar fome, com condições de vida sem qualquer dignidade, foi forçado a lutar pela sua sobrevivência. Só que como em Orissa não há princesa à espera do herói branco que a seduzirá e que contribuirá para a salvação do seu povo, a população tribal de Orissa acabou por se voltar para os ‘maoístas’, únicos que mobilizaram os camponeses famintos.


Tal como no Avatar, que ao fim de três semanas de exibição já tinha ganho muito dinheiro (um bilião de dólares), aqui, e só considerando apenas o valor financeiro dos depósitos de bauxite existentes em Orissa, também se ganha muito dinheiro (2.27 triliões de dólares em 2004 - o dobro do Produto Nacional Bruto da Índia). A valores atuais serão perto de 4 triliões (4 com 12 zeros). Deste valor o governo, ao que dizem, recebe menos de 7% em royalties. Há contudo relatórios conhecidos (Lokayukta Report de Karataka) que concluem que “por cada tonelada de ferro minerado por uma companhia privada, o governo fica com um royalty de 27 rupias e a companhia mineira com 5000 rupias”. Ou seja 0,6% para o governo e 99,4% para a companhia mineira.


Assim, da próxima vez que alegre e indignadamente levantarem cartazes a dizer “Je suis quelque chose” talvez fosse melhor pensarem que essa “quelque chose” é que todos somos adivasis. Ou vamos ser. Bem feito, para não gastarmos acima das nossas possibilidades.

Em tempo: P. Chidambaram, ministro do interior da Índia, chefe responsável pela condução da Operação Caça Verde, fez toda a sua carreira como advogado de corporações ao serviço de várias empresas mineiras, sendo diretor não-executivo da Vedanta. Assim que se tornou ministro, uma das primeiras autorizações que deu foi para que a Sterlite prosseguisse com a sua mineração, apesar do Supremo Tribunal ter dito que não concederia tal autorização uma vez que a mineração destruiria as florestas, as nascentes de água, o ambiente e as vidas de milhares de pessoas das tribos que aí viviam. Seguiu-se a autorização para que a TwinstarHoldings, uma companhia sediada nas Maurícias, comprasse ações na Sterlite. A Sterlite era parte do grupo Vedanta.


A Vedanta é uma das maiores companhias multinacionais de mineração do mundo a operarem em Orissa. É propriedade de Anil Aggarwall, um bilionário que vive em Londres numa casa senhorial que antes pertencera ao Shá da Pérsia. E isto porque nunca gasta acima das suas possibilidades.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2017
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2016
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2015
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub