(130) Os ovos da serpente
“Um ovo de serpente que eclodindo, como a sua espécie, cresceria malevolamente, pelo que o urge matar na casca”, Shakespeare.
Em 1957, 77% dos funcionários com cargos de responsabilidade no Ministério da Justiça alemão (ou seja, três em cada quatro) eram antigos membros do partido nazi.
A revista Time escolheu Hitler para figurar na sua capa, como “homem do ano 1938”, entendendo que devia ser o candidato ao Prémio Nobel da Paz.
O Instituto Gatestone, da judia Nina Rosenwald, produz uma torrente de conteúdos incorretos que visam inflamar os medos contra os imigrantes e muçulmanos, focalizados nas eleições alemães (e não só), conteúdos que são depois utilizados pelos políticos, blogs e redes sociais associadas à AfD e outros partidos.
Há muito que os povos de Moçambique têm um provérbio muito interessante, segundo o qual
“os jacarés matam-se quando são pequenos”.
Como as suas tradições eram orais, como não havia nenhum autor individual a quem se atribuir, como a língua em que se expressava não era nenhuma das coloniais importantes e obrigatoriamente conhecidas, só há muito pouco tempo é que se reparou e recuperou este milenar dizer popular.
O conceito que expressava era o mesmo que Shakespeare utilizava na sua peça Júlio César, escrita em 1599 (?), mas só publicada em 1623, na qual relata a conspiração contra os que consideravam ser César um ditador, e que acabou com o seu assassinato. O seu protegido e amigo Marco Júnio Bruto, para convencer os outros senadores sobre os perigos que César representava, compara-o a
“um ovo de serpente que eclodindo, como a sua espécie, cresceria malevolamente, pelo que o urge matar na casca”.
Em 1977, Ingmar Bergman, recupera o conceito, utilizando-o não só para título de um seu filme que retrata o surgimento do nazismo (O Ovo da Serpente), como ainda o introduz num diálogo, a propósito da falhada tentativa (1923) de tomada de poder de Hitler em Munique. Eis o que Bergman põe o Dr. Hans Vergerus a dizer a Abel Rosenberg ( http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2979,1.shl):
“O Sr. Hitler não tem capacidade intelectual nem método. Ele não percebe as forças tremendas que está a ponto de conjurar. Ele será varrido como uma folha murcha no dia em que a tempestade vier… olhe para todas essas pessoas. São incapazes de uma revolução. Elas estão humilhadas demais, assustadas demais, oprimidas demais. Porém, dentro de dez anos, então os que têm 10 anos terão 20, os que têm 15 terão 25. Ao ódio herdado dos pais, eles acrescentarão o próprio idealismo e impaciência. Alguém vai se apresentar e colocar seus sentimentos em palavras. Alguém vai prometer um futuro, alguém vai fazer exigências. Alguém vai falar de grandeza e sacrifício. Os jovens e inexperientes darão sua coragem e sua fé aos cansados e inseguros. E então, haverá uma revolução…essas pessoas vão criar uma nova sociedade…É como o ovo de uma serpente, através das finas membranas, você pode discernir claramente o réptil que já é perfeito.”
Ainda antes do fim da II Guerra já centenas de milhar de prisioneiros dos exércitos nazis capturados e para os quais não havia campos de internamento em quantidade suficiente, foram colocados nos navios de carga que regressavam vazios aos EUA depois de terem descarregado todo o material na Europa. E por lá ficaram.
É sempre bom recordar que em 1939 os nazis contavam com mais de duzentos mil seguidores e simpatizantes nos EUA, que a revista Time escolheu Hitler para figurar na sua capa, como “homem do ano 1938”, entendendo que devia ser o candidato ao Prémio Nobel da Paz, e que entre os seus admiradores se encontravam o magnate automobilístico Henry Ford e o aviador Charles Linbergh.
E que na Grã-Bretanha, a abdicação em 1936 do rei Eduardo VIII, Duque de Windsor, ficou certamente mais a dever-se às suas simpatias para com Hitler e o regima nazi do que com o facto de se pretender casar com uma divorciada americana. Eram notórias as simpatias da classe alta e dos aristocratas britânicos para com o regime nazi, o que talvez tenha levado Hitler a cometer o erro estratégico de acreditar que a implantação do seu regime na Grã-Bretanha seria relativamente fácil, não se preocupando muito em dificultar a retirada do exército britânico de Dunkerque.
Na destruição e na confusão que se seguiu após o fim da II Guerra, a necessidade de se manter a funcionar um mínimo de administração pública nos países derrotados, e até na dificuldade de separar nazis de não nazis fez com que, intencionalmente ou não, muitos deles passassem despercebidos. Vamos acreditar que foram essas as razões e que não foi intencional.
Na realidade, os aliados que ocuparam a República Federal da Alemanha (Estados Unidos, Reino Unido e França) condenaram apenas 6650 ex-nazis, o que só por si era uma pequena parte do total dos membros do partido. E, as elites alemãs da época fizeram o resto.
Um recente estudo denominado “Projeto Rosemburg” apresentado publicamente por Heiko Maas, atual ministro da Justiça alemão, vem confirmar que em 1957, 77% dos funcionários com cargos de responsabilidade no Ministério da Justiça alemão (ou seja, três em cada quatro) eram antigos membros do partido nazi. O que não deixa de ser até curioso, porquanto essa percentagem em 1957 era mais alta do que durante o Terceiro Reich (http://www.dn.pt/mundo/interior/sistema-de-justica-alemao-do-pos-guerra-estava-dominado-por-ex-nazis-5434041.html).
Infelizmente, não existem iguais estudos feitos nos outros países europeus. Possivelmente, porque não deve ser importante.
Mesmo depois da derrota do nazismo, Suécia, Noruega, Finlândia e Dinamarca, continuaram a praticar a eugenia durante várias décadas. Entre 1935 e 1976, 63.000 suecas, 57.000 finlandesas, 40.000 norueguesas e 6.000 dinamarquesas foram esterilizadas, primeiro em nome da preservação da “pureza nórdica” face aos ciganos tatere, e mais tarde na obediência a critérios económicos do trabalhismo. Na procura de uma uniformização de raça, classe e religião, também os jesuítas estiveram proibidos de entrar na Noruega até 1956.
Com maior ou menor desenvolvimento, apresento um quadro geral do desenvolvimento das formações ultra da direita europeia, que talvez nos permita entender a sua permanência, com menor ou maior expressão dependendo dos seus líderes, da conjuntura e das ligações internacionais de que disponham.
Só a título de exemplo sobre estes laços internacionais veja-se o caso da website americana Gatestone, financiada pela filantropista judia Nina Rosenwald, filha do falecido William Rosenwald que usava a sua fortuna para ajudar os refugiados judeus que escapavam do regime nazi. Agora, Nina utiliza essa fortuna para para financiar movimentos e campanhas difamatórias contra os refugiados muçulmanos na Europa e nos EUA.
O Instituto Gatestone ( https://cdn.americanprogress.org/wp-content/uploads/issues/2011/08/pdf/islamophobia.pdf) produz uma torrente de conteúdos que visam inflamar os medos contra os imigrantes e muçulmanos, focalizados nas eleições alemães (e não só), conteúdos que são depois utilizados pelos políticos, blogs e redes sociais associadas à AfD.
É assim que faz campanha contra a construção de mesquitas que diz, a prosseguirem, levarão à extinsão do cristianismo; que o Governo de Merkel “confisca casas para serem usadas por imigrantes”, perguntando “será que as autoridades querem limitar o espaço que cada pessoa deverá ter, forçando que quem viva em grandes apartamentos seja obrigado a reparti-los com os imigrantes?” e publicando histórias sobre”as doenças altamente infeciosas” que os imigrantes trazem, os raptos e assaltos sexuais que praticam.
Mas nisto do internacionalismo, o que se não sabe é sobre a origem e circulação dos dinheiros com vista aos financiamentos, aos interesses e contrapartidas que estão em jogo. Possivelmente, porque não deve ser importante, ou porque é muito complicado e a maioria das pessoas não perceberia. “Cabecinhas pensadoras”.
Na Alemanha, apesar da existência de medidas legislativas muito restritivas para qualquer tipo de manifestações nazis, mesmo assim apareceu o NPD, partido ultra, herdeiro do nacionalsocialiosmo de Hitler, mas cuja cúpula da organização estava cheia de infiltrados dos serviços secretos alemães, pelo que se tornou praticamente inexistente.
Após o 11 de setembro, descobriu-se uma rede, a Clandestinidade Nacionalsocialista, que durante anos assassinou cidadãos turcos por todo o país. Processo em julgamento.
Em 2013, apareceu o AfD, Alternativa para a Alemanha, fundado por Bernd Lucke, tendo conseguido nas eleições de 2013, 4,7% dos votos. Este ano conseguiu eleger 68 deputados, com 12,6% dos votos. Inicialmente, o partido nasce com a preocupação manifestada por alguns professores universitários sobre as consequências políticas e económicas do futuro do euro para a Alemanha, e colhe o nome exatamente para contrariar a observação de Angela Merkel que considerava não haver alternativa às políticas do seu governo.
A grande transformação do partido para o radicalismo dá-se com a afluxo de refugiados em 2015 e 2016. Bernd Lucke acaba por perder a liderança no congresso de 2015, acusando o partido de uma deriva xenófóbica.
O partido começa a ser inundado por personalidades, como o atual líder Frauke Petry, que diz que “o Islão não faz parte da cultura alemã”, e que em certas situações os guardas fronteiriços poderiam legitimamente disparar contra os refugiados que estivessem a tentar atravessar a fronteira. Ou como Bjoern Hoecke, que pretende relativizar o passado da Alemanha, glorificando os feitos do exército nazi.
Contudo, a força que galvaniza o partido, é a política contra os refugiados, o que o torna num partido semelhante à Frente Nacional francesa de Le Pen e a outros partidos da extrema direita da Europa.
Mas, tudo isto não é linear. Um dos seus principais candidatos é Alice Weidel, uma lésbica (e só o foco porque a posição do partido é homofóbica) de 38 anos, ex-empregada da Goldman Sachs, que fala fluentemente mandarim, tendo estado seis anos na China a escrever a sua tese de doutoramento sobre o sistema social de pensões chinês.
Por outro lado, o partido advoga o fim das sanções à Rússia. Petry, no princípio deste ano, deslocou-se à Rússia (atenção: a Rússia não é um país comunista, nem socialista: é um país capitalista de segunda ordem) onde teve encontros com membros do partido de Putin (que pertencia ao KGB, tal como Bush pai chefiava a CIA). É que o AfD tem cortejado alemães que ainda falam russo com um considerável sucesso (não esquecer que o AfD tem as suas raízes na região da antiga RDA). Sabe-se que a maioria dos seus votos tem origem nos alemães das regiões de Leste, que são os que mais têm sofrido com a crise, relacionando-a com a chegada de refugiados.
Em França, são por demais por demais conhecidos os valores da dinastia Le Pen à frente da Frente Nacional, FN, que vai conseguindo um em cada cinco votos.
No Reino Unido, o BNP liderado por Nick Griffin, conseguiu um certo apoio a propósito de uma greve na cintura industrial de Londres onde a imigração e a crise começaram a fazer mossa, chegando a obter nas eleições gerais 1,9% dos votos. Já o UKIP, liderado por Nigel Farage, surge como mais nacionalista e com um radical euroceticismo. Foram preponderantes para o Brexit.
Na Suécia, Malmo, em 1951, apenas seis anos após o fim da II Guerra, já se realizava um primeiro congresso internacional neofascista do pós-guerra.
Nesse congresso foi decidido fundar-se o Movimento Social Europeu, uma força inimiga quer dos EUA como da União soviética, reconstruir-se o Sacro Império Romano Germânico com base na eleição dos chefes de Governo por plebiscito com vista à regulação da vida social e económica pelos órgãos do estado corporativo e à regeneração espiritual do homem, da sociedade e do Estado.
Uma secção mais radical do congresso resolveu constituir no ano seguinte, em Zurique, a Nova Ordem Europeia, com o objetivo de “defender a raça europeia do anticapitalismo judeu-americano através do anticolonialismo da segregação racial severa e pelo regresso dos grupos étnicos aos seus espaços tradicionais”.
Em 1997, é feita a primeira manifestação abertamente antissemita nas ruas de Estocolmo, cujo lema era “Acabar com a democracia, acabar com o poder judeu”. Até então a extrema direita sueca não era islamofóbica, mas o apunhalamento mortal da ministra dos negócios estrangeiros Anna Lindh em 2003 por um doente mental muçulmano, alterou a situação. Em 2010, nas eleições legislativas, obteve 5,7% dos votos, com vinte e dois lugares no parlamento.
Além de dois pequenos partidos ultras, o Natinaldemokraterna e do neonazi Svenskarnas, aparece o Sverigedemokraterna de Jimmie Akersson, que, com uma mensagem xenófoba (como aquele spot em que uma anciã avança lentamente à procura de ajuda económica estatal apoiada num andarilho, e que se vê ser ultrapassada por um grupo de mulheres com véu islâmico), obteve 5,7% dos votos e 19 dos 340 lugares para o Parlamento.
Na Noruega, o Fremskrittspartiet, que durante os anos 70 e 80 foi um partido minoritário no Parlamento, em 1989 passou a terceira força nas elições, obtendo 22 lugares. Em 1995 conquistou 25 lugares, passando a principal partido da oposição. Em 1999 chegou aos 33% e em 2009 posicionou-se como alternativa ao governo.
O Fremskrittspartiet é o partido de que Anders Breivik (que matou a tiro mais de 69 jovens adolescentes num parque em Oslo) é militante, e cuja chefe, Sty Jensen, considera que a Noruega se islamizou, que em alguns locais do país se substituiu a legislação local por uma “sharia” imposta por imigrantes, que Israel é o muro que nos defende e separa dos terroristas.
Na Dinamarca, surge a meados dos anos 90, o Dansk Folkeparti, partido eurocético, populista e ultraconservador, tendo à sua frente Pia Kjaesgaard, levantando assuntos sensíveis à sociedade nórdica como violações e mau trato às mulheres, atribuindo essa chagas não à sociedade dinamarquesa, mas ao multiculturalismo e à imigração. Os seus últimos resultados eleitorais deram-lhe 12,3% de votos e 22 lugares dos 179 em disputa.
Na Finlândia, surge o Perussuomalaiset, Partido dos Autênticos Filandeses, que pretende regular a imigração, proibir o casamento gay, a fecundação in vitro, pedir a saída da EU, opondo -se à obrigatoriedade do sueco como segundo idioma. Com este discurso, Timo Soini conseguiu impô-lo como terceiro partido do país, obtendo perto de 20% e 39 lugares, apenas menos três que os socialistas. E isto sem contar com os ultras do Vapauspuolue de Lisbet Puttonen que advogam ainda a proibição de mesquitas e minaretes.
Na Hungria, como na maior parte dos países que se separaram do bloco comunista, as formações políticas tendem a ser radicais. Por um lado, o partido do Governo, Fidesz, integrado no grupo do Partido Popular europeu, dirigido por Viktor Orbán, que ao obter nas últimas eleições 60% dos votos empreendeu uma reforma radical da Constituição, limitando direitos de cidadania, dos meios de comunicação e dos outros partidos políticos.
A muita distância estão os socialistas e, como terceira força, os ultrarradicais de Jobbik que apareceram em 2003, com 2,2% de votos em 2006, e quási 17,5 % dos votos em 2010. A mensagem do seu líder Gábor Vona, para além da seguida pelos ultras europeus com base no antissemitismo, racismo, anti-islamismo, restrição das políticas de imigração, faz finca-pé na reclamação de territórios que lhes pertenciam e que atualmente se encontram para além das fronteiras, integrado noutros países balcânicos e na Roménia.
Na Bulgária, existe o Ataka, quarta força do país com 9,3% dos votos. Chefiado por Volen Siderov, apresentador a televisão, favorece a doutrina ortodoxa oficial do Governo, o ultranacionalismo e o desprezo pelas minorias étnicas. Utiliza simbologia fascista.
Na Eslováquia, o Slovenská Národná Strana, Partido Nacional Eslovaco, converteu-se em 2006 na terceira força política com 11,7% dos votos. O seu chefe, Ján Slota, presidente de câmara há vários anos, utiliza palavras como “anormais” ao referir-se aos homossexuais, ameaçando minorias romena e húngara. A implantação do partido tem vindo a diluir-se.
Na República Checa, o partido da ultradireita é o Dèlnická, Partido dos Trabalhadores, dirigido por Tomás Vandas, tendo passado de 4.000 votos em 2004 para os 60.000 em 2010. Não se trata de uma formação meramente populista ou nacionalista, mas eminentemente fascista e com vinculações a organizações neonazis a nível mundial.
Na Letónia, existe uma grande coligação de formações ultradireitistas que apoiam as ideias de repatriação de todos os cidadãos russos para fora do país. A Nacionãlã Apvieniba, Aliança Nacional, é a quarta força política com 14% de votos. É dirigida por Ra`vis Dzintars e Gaidis B~erzins, que participam por todo o país em desfiles em homenagem às SS.
Já na Estónia, a ultradireita é favorável a uma aproximação à Rússia. O partido, o Eesti Iseseisvuspartei, Partdo da Independência, é chefiado por Vello Leito e Tauno Rahnu, e o seu emblema é nitidamente nazi. Obteve apenas 0,4% dos votos.
Na Lituânia, não existe nehuma formação neonazi representativa. Há, contudo, memórias fortes da II Guerra, relativas às deportações para a Sibéria dos colaboradores nazis. O Holocausto é questionável pela lei e a suástica nazi é um emblema cultural.
Na Eslovénia, o Slovenska Nacionalna Stranka, dirigido por Zmago Jelincic, obteve até 2011 5% dos votos, o que lhe garantia representação no Parlamento. Define-se como progressista, admira Tito, mas as suas propostas políticas alinham com a extrema direita: proibição de direitos aos homossexuais, controle cerrado da imigração, revisão de fronteiras, e xenofobia contra os emigrantes romenos.
Na Polónia, o partido do Governo, o Prawo i Sprawiedliwo´s´c, Lei e Justiça, liderado pelos irmãos Kaczy´nski (agora só um, por morte do outro irmão) e que governa com os ultraconservadores da Liga Polskich Rodzin, Liga das Famílias Polacas, e outras formações ultranacionalistas, e que, entre outras alterações às leis do país em matéria social e migratória, e iniciaram investigações sumárias sobre programas infantis que diziam exaltar a homossexualidade.
Na Roménia, apesar de ser um dos países mais perseguidos pelos movimentos ultras europeus, aparecem também formações de direita radical. É o caso do Partdul Noua Generatie, Partido da Nova Geração, liderado por George Becali, xenófobo e homófobo, com um representante no Parlamento europeu.
O grande partido ultra é o Partidul România Mare, Partido da Grande România, o quarto partido mais votado para a presidência do país, e cujo líder, Vadim Tudor, nega a existência do Holocausto e reclama territórios da Ucrânia e a anexação da Moldávia, para constituir a ‘Grande Roménia’.
Em Portugal, há uma formação nazi, o PNR, sem representação parlamentar, e que obteve nas últimas legislativas 0,3% dos votos.
Chipre, Malta e Irlanda, não têm formações ultras.
Em Espanha, nas eleições de 2008, mais de dez formações da ultradireita obtiveram 62.000 votos, tendo a Falange Española conseguido 14.023. Nas eleições de 2011, metade dessas formações obtiveram 74.809 votos, 0,3% do total, sobressaindo a Plataforma Per Catalunya com 59.949 votos.
Dirigida por Josep Anglada, a PxC utiliza simbologia cristã, referências ao franquismo, tiques militaristas, e põe a imigração e o islamismo no centro das suas medidas sociais e discursos populistas. Pretende aglutinar todos os pequenos grupos ultra e a España 2000 (a segunda mais importante, dirigida por Jose Luis Roberto), debaixo de uma Plataforma por la Libertad.
Em Itália, a ultradireita tem várias caras, todas elas acolhidas e utilizadas por Silvio Berlusconi para a sua grande coligação La Casa delle Libertà, e depois por Il Popolo della Libertà. A Lege Nord, umgrupo ultranacionalista e separatista do norte da Itália, conduzida por Umberto Bossi, com posturas contrarias à imigração balcânica, do leste da Europa e de próprios nacionais vindos do Sul, tem conseguido o apoio do cidadão médio da zona norte.
Em 1990, foi a quarta força política do país, e que, aliando-se a Berlusconi, permitiu-lhe a sua chegada ao poder em 1994.
Desta tumultuosa coligação fazia também parte a formação neofascista Fiamma Tricolore, o Movimento Idea Sociale de Alessandra Mussolini que acabou sendo eurodeputada.
Da Grécia, aparece a surpresa, pois o Chrysi Avgi, o Amanhecer Dourado, não é só um partido populista, ultranacionalista e eurocético: é abertamente neonazi. Além da parafernália do costume (cores, aparência, manifestações com botas militares, cabeças rapadas, bastões e outras armas, símbolos) a sua política é simples: deportação massiva de imigrantes e fecho das fronteiras.
A sua atuação inclui agressões e ações de guerrilha contra militantes da esquerda, atentados e incidentes contra macedónios, albaneses e turco. Em 2009 tiveram aoenas 0,29 % dos votos, mas cinco meses depois nas locais obtiveram 5,29%, e posteriormente em novas eleições atingem 7%, sendo a quinta força no Parlamento.O seu líder é Nikolaos Michhaloliakos, ex-militar com uma carreira de detenções.
Contar ainda com a LAOS, formação contrária à imigração de fora da Europa, e cujo líder Georgios karatzaferis, defende uma postura ultranacionalista relativamente à Macedónia, Chipre e Turquia. Juntamente com a Frente Helénica defende a pena de morte como forma para garantir a identidade nacional, chegou a obter 5,6 % dos votos antes do aparecimento dos neonazis.
A Bélgica, país com duas comunidades linguisticamente diferentes e com partidos duplicados que operam só em metade do território, é uma incubadora de nacionalismos radicais e xenofobia.
Assim, o Vlaams Belang, advoga a separação dos flamengos, comunidade do Norte do país que fala holandês e é rica, dos valões do Sul, francófonos e menos rica. Na cidade de Anvers conseguem ter um em cda três votos.
No lado francês, estão partidos como a Front National, irmã da Frente Nacional francesa de Le Pen.
Na Holanda, o PVV, Partido da Liberdade, de Geert Wilders aparece como a terceira força política, com15,5% dos votos. A sua é uma mensagem xenófoba e antiislâmica. O seu fundador, Pim Fortuyn, gaba-se da sua homsexualidade, clamando contra o Islão que considerava retrógrado e escravisante. Em plena campanha eleitoral de 2002, é assassinado. O seu falecimento, e o de Theo Van Gogh, assassinado também dois anos depois, puseram o partido em toda a comunicação social. É Wilders que vem a aglutinar todo esse sentimento surgido, erigindo-se como líder de um movimento de evolução desconhecida.
O Luxemburgo, aparece como um país tranquilo, em que até as duas forças que governam o país, o fazem através de uma coligação desnecessária.
Na Austria, o carismático Jorg Haider conseguiu que o Partido Liberal Austríaco, o FPO, tomasse posuições mais nacionalistas e xenófobas, aproveitando o conflito étnico com a comunidade eslovena. Em 1999 chega a vice-chanceler do Governo, após obter 26,9% de votos.
Filho de militantes nazis do FPO, vai acabar por fundar o seu próprio partido, o BZO. Nega o Holocausto, elogia as SS, ataca os judeus. Morre num acidente de viação, juntamente com o seu companheiro sentimental que o acompanhava.
O seu legado continuou com Josef Bucher, que nas eleições seguintes consegue 27% dos votos. Agora, o seu novo líder, Heinz-Christian Strache, espera ganhar as próximas eleições.
Na Suiça, Christoph Blocher reconverte uma coligação minoritária de fazendeiros e comerciantes no SVP, que é o principal partido do país, com mais de um quarto dos deputados na Assembleia. A passagem do ruralismo ao populismo foi surpreendentemente rápida. Daí à criminalização da imigração e à proibição de construir minaretes em território nacional foi uma corrida ganha.
Em 1999, quando obtêm 22% dos votos, conseguem alterar a configuração do Conselho Federal, a câmara do Governo que se regia pela ‘fórmula mágica’, vigente há mais de meio século, para designar equilibradamente os seus sete membros proporcionalmente às ideologias, idiomas e origens. Nas sucessivas eleições que se lhe seguiram, conseguiram ir mantendo os resultados. Com o auge da crise, passaram à ação mais diretamente; os seus cartazes de propaganda mostram ovelhas brancas a porem fora da Suiça uma ovelha negra.
Nota: sugiro a leitura de (http://otempoemquevivemosotempoemquevivemos.blogs.sapo.pt/autoridade-o-pilar-da-sociedade-13935), e de (http://otempoemquevivemosotempoemquevivemos.blogs.sapo.pt/nazis-fora-das-escolas-13370).